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quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Voo Isla Margarita Los Roques

Depois de testar várias hipóteses e possibilidades -- aviso aos navegantes que obter alguma informação útil e segura na Venezuela não é tarefa para iniciantes -- conseguimos um voo de Isla Margaria a Los Roques num aviãozinho de seis lugares, incluindo os assentos do piloto e copiloto (agora sem hifen). Viagenzinha muito divertida... com visual de impressionar...

E o melhor de tudo: deixamos Isla Margarita prá trás \o/
Eita lugarzinho ruim, não imagino o motivo de tanta fama. Se vc ainda não foi lá, não perca seu tempo. Isla Margarita não é uma ilha do Caribe, deve ter sido criada em outro oceano e depois foi arrastada até o Mar do Caribe. Tem belezas naturais equivalentes a uma praia gaúcha e a presença humana não melhora o cenário. Há muita sujeira e os serviços são horríveis. Um retrato da Venezuela na era Chavez.

Aparentemente há um voo regular. Aparentemente... a Venezuela não é terra para quem gosta de certezas!
Se vc procura informações sobre voos entre Isla Margarita e Los Roques e não encontra nada, agradeça aos céus. É trabalho do seu anjo da guarda que quer lhe poupar dissabores na vida terrena. Ouça o que seu anjinho tenta lhe dizer: "vá para Los Roques (que é fantástico) direto de Caracas e passe longe de Isla Margarita". Ele deseja muito fazer esta boa ação, pq só lhe falta isso para ser promovido a arcanjo rsrs


segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Isla Margarita é uma bosta

Para ser sucinto e comedido diria que Isla Margarita é uma merda !!!
Façamos um acordo: não perco meu tempo contando as agruras que passo aqui e você não perde seu tempo vindo prá cá.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Venezuela

Acaba-se mais um ano. Vim à Venezuela, Reveillón em Isla Margarita, esperando encontrar palmeiras, mar translúcido e demais acessórios e apelos visuais que se pode esperar de uma ilha do Caribe. Antes, porém, há que se chegar lá.

A Venezuela não funciona exatamente como um relojoeiro desejaria e nosso grupo, não conseguindo fazer todas as reservas necessárias, teria de apelar para a fé na Providência Divina. Penso que, se o Universo todo foi criado sem nenhum planejamento preliminar, as nossas férias, um evento com dimensões significativamente menores, também poderiam dele prescindir.

Quatro já haviam chegado no dia 27/12 e tiveram que enfrentar, por seis horas num táxi, 300 e poucos quilômetros de Caracas a Puerto La Cruz. De lá, outras duas horas em ferry boat para chegar à ilha.

Chegamos Kathleen e eu ao aeroporto de Caracas às 6:00 hs. da manhã e fomos tentar conseguir um lugar em lista de espera num voo para a Isla Margarita e assim evitar o trajeto por terra e mar. Abaixo de um luminoso amarelo que identificava a empresa aérea havia, não uma fila ou lista de espera (como se espera), mas um democrático embolado de espera, o qual não discriminava sexo, cor, credo, classe social ou ordem de chegada. Ali ficamos até que uma atendente gorduchinha sinalizou à nossa intuição que começaria a escolha de alguns eleitos que desfrutariam a invenção de Santos Dumont, deixando a grande maioria no mesmo lugar onde até então estivera.

Mantenha a coluna ereta e a mente tranquila, gafanhoto! Séculos de meditação em milhares de mosteiros ensinou algo a outros que agora aproveitaria a mim.

A senhora gorduchinha observa aquele estranho ser esquálido, calado, catatônico, circundado por uma população obesa que levanta notas de dinheiro e brada pedidos antecedidos por "amor", "corazón", "mi vida", "mi cielo". Curiosa, olharia para o ser plantado tal qual uma árvore à espera do vento, com uma mochila às costas, aparentado a uma experiência mal-sucedida de cruzamento genético entre tartaruga e Marco Maciel.

Quais desígnios do destino e programas de milhagem, quais passos haveria caminhado, quantas cadeiras heveria ele sentado até chegar àquele saguão ? Por que cargas d'água, afinal, não levanta os braços ou empunha notas? Estaria sem forças após uma noite passada, entre cochilos, à base da alimentação fornecida pelo serviço de bordo?

É o momento! Fui olhado e visto. Eu existia para a aviação comercial! Estendo o braço com os passaportes à mão, à velocidade de reflexos que fariam lembrar a todos que, uma vez mesatenista, assim o serei enquanto mantiver meus membros superiores.

O tempo não pára, mas pode reduzir sua marcha se forem mais abundantes as sinapses no cérebro. Olhando os livretos, a senhora, movida pela mesma genética da qual falávamos a pouco, lembrou-se de outro saguão, assim chamado salão, e das cadernetas de baile de sua avó, envolvidas em papel de seda e guardadas como troféus, prova material dos felizes anos da juventude. As cadernetas eram compostas entre o recato e o atrevimento, obtendo o difícil equilíbrio de preservar alva a reputação e afastar o "chá-de-cadeira". Circulariam entre os pretendentes por toda a Quaresma, enquanto moças e rapazes arranjavam-se como podiam para treinar os passos de dança, até que chegasse o aguardado Baile de Aleluia, no sábado acompanhado pela mesma conjunção adjetiva.

Para onde foram aqueles dias? Que forças levaram a Humanidade a extinguir as cadernetas de baile e proliferar os passaportes? Aqui no saguão, antes chamado salão, não há esperas que valham 40 dias. Demasiados são 40 minutos. Repetem-se "amor", "corazón", "mi vida", "mi cielo", mas quem diz isto não mais pede uma dança, somente implora por assento num vôo que o leve mais longe e, mais tarde, a maiores decepções.

Por um quase momento a senhora corre os olhos pelo braço esticado e procura os outros olhos escondidos entre lentes e olheiras. "nde buscas llegar, flaquito?". Estica o quanto pode os braços curtos, ponteados por dedos roliços. Não teria chances como mesatenista. Toma os passaportes. Estava feito: nós não conheceríamos Puerto La Cruz e o ferry boat.