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terça-feira, 29 de março de 2011

Balanço Geral

Acabaram-se as férias sniff sniff
De volta ao trabalho ou, pelo menos, à mesa de trabalho (que meu chefe não me ouça rsrs)
Vamos a um pequeno balanço da viagem:

a) o Buscicle Turismo revelou-se um bom modo de viajar de (ou com) bicicleta quando se tem menos tempo e pernas do que o desejado; com essa estratégia pudemos aproveitar quase tudo de bom que havia pelo caminho, pedalando nas estradas e em roteiros próximos às cidades.

b) pontos altos do roteiro:
- estrada de Bariloche a Villa La Angostura, com constantes mudanças de cenário; só o vento não mudava; boa opção prá quem quer testar sua forma física
- Parque Nacional Los Arrayanes (se pronuncia arrrrrrajjjjjjanes), em Villa La Angostura
- a lan house de San Martin de Los Andes
- a jujuba argentina
- a subida ao Vulcão Villarrica, em Pucón
- a estrada de Puerto Octay a Puerto Montt, é linda mesmo com chuva
- a comida do Chile

c) as companhias aéreas deveriam ser mais claras em relação ao modo de transportar bicicletas, pq na prática o que está valendo é a opinião do funcionário do check in; embora não me tenham permitido, continuo achando que a melhor maneira de transportá-las é sem embalagem alguma.

d) emagreci uns quilinhos, perdi a pochete lateral e estou com bunda dura; quem quiser emagrecer mesmo comendo umas 5.000 calorias por dia já sabe: é só pedalar o dia todo.

e) as distâncias percorridas foram as seguintes:
    -  de bicicleta: 459 km
    -  de ônibus:   645 km
    -  de avião: uns 7.000 km

Com base nestes dados, acredito, ser prudente, por ora, não dispensar o uso de motores nos veículos de transporte.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Buscicle Turismo

Fundamentos do Buscicle Turismo:

1) faltou perna, recorra ao amigo ônibus, afinal somos seres pós-revolucâo industrial

2) certifique-se que o ônibus leva sua bike, pq os ônibus sem porta-malas ou com porta-malas pequeno nâo a levará.

3) se permitirem, entre no bagageiro e coloque vc mesmo a bicicleta lá; e a coloque em pé, amarrada na coluna do bagageiro!!!

4) use sua bike para fazer roteiros nas redondezas de onde vc está, afinal se viaja com a bicicleta é pq gosta de pedalar.

O buscicle turismo tem se demonstrado uma prática bastante interessante, pq tanto aqui em San Martin como em La Angostura soubemos de bons roteiros prá fazer, mas se resolvessemos viajar somente de bicicleta nâo teríamos tempo prá aproveitá-los.

Hj pedalamos até o Lago Lolog. Grande e lindo lago.
No percurso de ida fomos por uma estrada movimentada e poeirenta. No retorno, porém, viemos por uma estradinha estreita e sinuosa que um argentino simpático (sim !!!! eles existem !!!!) que estava pedalando por aquelas bandas nos indicou.

Amanhâ é dia de acordar muito cedo. Às 6:00 hs da manhâ  (e o dia só amanhece âs 8:00 hs...) vamos para Pucón, no Chile. Adivinha de que jeito: ônibus, claro !!!
hehe
Pedalada de hj: 47 km

quinta-feira, 17 de março de 2011

Villa La Angostura - San Martín de Los Andes

Hj fizemos o percurso de Villa La Angostura a San Martín de Los Andes, 108 km, em apenas duas horas e meio. Uau !!!!

Isso aconteceu por um motivo bem simples: viemos  de ônibus !!! Houve apenas, digamos, uma quase imperceptível mudança de preposição: deixamos de viajar de bicicleta para viajar com bicicleta. Ainda é uma cicloviagem, ninguém pode dizer o contrário hehe

Alguns fatores para esta sutil mudança:

a) descobri que 400 metros de desnivel em estrada de terra (era isso que teríamos duas vezes no caminho) requer um esforço além das energias disponíveis.
E aí lembrei da música inspiradora do Raul:
"Eu nâo sou besta prá tirar onda de herói, sou vacinado..."

b) ontem começou da chover lá pelas quatro da tarde e assim foi a noite toda. Imagine como estaria a estrada de terra. E ela está em obras...

c) informações afiramtivas a respeito de alojamentos improvisados e possível falta de comida no caminho.

d) uma súbita compreensão de que há mais de 20 anos não tenho mais 18 anos.

Chegando em San Martín, montamos os alforges nas bicicletas e desfilamos triunfalmente pelas ruas do pacato lugar recebendo apupos e aplausos  de impressionados pedestres e transeuntes que creem, pois assim enxergam seus olhos, estarmos viajando de Ushuaia ao Alasca apoiados sobre selin e pedais, sem que haja um único fio despenteado de nossos cabelos.
Imagem é tudo, amigo ouvinte !!!

Ainda houve tempo para uma grande volta na cidade e para subirmos uma trilha muito estranha em direção a um tal de Mirador Bandurrías. Uns 200 metros de desnível. Percurso de subida: 11 km; percurso de descida: 2 km. E nos disseram que era possìvel "bajar en bicicleta"

Novamente detalhes a respeito de preposições. É possivel descer da bicicleta e ir segurando-a pirambeira abaixo, enquanto reza prá não tropeçar e rolar pelo barranco. Meu conhecimento da língua espanhola ainda não capta estas sutilezas.

Pedalada de hj: 31 km
Onibuzada de hj: 108 km

quarta-feira, 16 de março de 2011

Parque Nacional Los Arrayanes

Ontem comi muito. Pensa num muito mais do que bastante. Omelete, truta e salada, tudo em quantidade. E uma garrafa de Pepsi de 1,5 litro divida em  duas pessoas. Não me lembro de ter comido tanto assim na última década. A pedalada de ontem foi dureza, estava realmente com fome.

Villa La Angostura é pequenininha e muito simpática e, resolvemos ficar aqui mais um dia, prá tirar mais informaçoes da Ruta de Los Siete Lagos, que nos levará a San Martin de Los Andes.

A estas alturas o schedule já está todo comprometido, pq temos apenas semanas de férias e já houve um dia de atraso em Bariloche e outro agora. Assim é que é:  planejamento inicial só serve mesmo prá gente se ocupar antecipadamente de um assunto quando não consegue pensar em outra coisa. Mas no final fazemos tudo diferente.

Ficando aqui eis porém que de repente olho no mapinha da cidade e vejo uma lingua de terra que avança para o lago, com uma trillha de 12 km que atravessa a península. É o Parque Nacional Los Arrayanes (se pronuncia "arrrrrajjjanes"). A princípio imaginei que a trilha fosse para caminhada, mas na entrada do parque descubro que também se pode pedalar por ela, desde que houvesse disposição para carregar a bike escadaria acima no primeiro quilômetro.


E assim fomos. A trilha é ótima, sob as árvores em todo o caminho, sendo mais estreita e com maior número de obstáculos tipo pedras, raízes e troncos de árvores no final. E chegando lá... tem que voltar tudo pelo mesmo caminho. Onde antes desceu, agora sube. E vice-versa.

Os arrayanes são estas árvores de tronco alaranjada que o tio da nossa cabanã definiu como "um arbusto crescido". Boa parte das casas de Villa La Angostura é construída com a madeira desta árvore. Fica muito bonito.

Pedalada de hj: 35 km

terça-feira, 15 de março de 2011

A comprida estrada de Bariloche a Villa La Angostura


É hoje que começa !!!
Prá ser mais exato, já começou faz tempo. Uma viagem começa muito tempo antes do deslocamento espacial, num tempo que apenas fazemos planos e imaginamos. Convenhamos porém, isso de nada adianta antes de se cumprir o primeiro objetivo que é partir. Este risco não corremos mais...

Acordamos cedo, carregamos tudo, checamos os últimos detalhes e às 9:15 hs partimos em direção à Villa La Angostura, 82 km adiante.


Primeiro pedalamos pela lendária e famosíssima Ruta 40. Se vc nunca ouvir falar dela, não se preocupe. Pouca gente ouviu. Mesmo assim ela é mundialmente famosa sobretudo para quem mora às suas margens. Alguns afirmam inclusive que a Route 66, em território norte-americano, foi inspirada na Ruta 40 argentina. Isso se torna naturalmente evidente  ao multiplicarmos 40 pela constante de Fibonacci, o chamado "número áureo", obtendo 64,72 que é quase igual a 66...  Certo ???

Deixemos, porém, essa conversa de ouro prá lá, pq nosso dia não foi nada régio.

Deixando a Ruta 40, viramos à esquerda, iniciando o trajeto na Ruta 231, e... pegamos um vento de frente que nos acompanharia por 62 longos quilômetros. Em todo este percurso pedalamos com força, inclusive nas decidas.
Subidas não são nada (bem... às vezes são sim) se comparadas ao vento constante e forte no nariz. Subida passa... mas o vento tá ali o tempo todo, sem descanso. Ô vontade de xingar !!! Até uns 20 km antes de Villa La Angostura tava duro, mas tudo bem. Então veio uma subida interminável. Não desejaria subida com vento ao meu pior inimigo.

Acabaram os sanduichinhos. A água acabou. Os carbo-hidratos do sangue acabaram. A paciência acabou. Só a subida não acabava.

E algum burocrata do governo metido a esperto deve ter baixado uma portaria qquer proibindo restaurantes e cafeterias dentro do parque Nahuel Huapi. Tá certo, a falta de água foi bobeira, pq deixamos que ela terminasse e não reabastecemos em nenhum dos rios pelo caminho. Só fomos encontrar água novamente num riachinho quase chegando na cidade. Mas os burocratas do governo têm que prever que alguém pode se esquecer dessas coisas, uai.

Que alegria foi essa chegada !!! Vc realmente não pode imaginar.
Pelo resto da minha vida vou encarar a avenida central de Villa La Angostura como o portal de entrada do paraíso na Terra !!!

Pedalada de hj: 85 km (mas pareceram 400...)

segunda-feira, 14 de março de 2011

Um dia de descanso antes mesmo de cansar

Pois bem, hj seria o dia de ir prá estrada com tudo carregado sobre as bicicletas e tomar o rumo de Villa La Angostura, mas tivemos um pequeno porém. Ou melhor, dois entretantos...

O primeiro deles é um mistério mais difícil de solucionar que a quadratura do círculo: como pode uma mulher descer escadas com um salto de 15 polegadas de altura, mas não consegue ela desencaixar adequadamente a sapatilha do pedal quando isso se faz necessário ???

Explico melhor: ontem a Alice teve uma queda - com a bicicleta parada, por sorte - pq não retirou o pé do clip do pedal a tempo e machucou o braço. Justiça seja feita: aquele pedal ou sapatilha, ou ambos, andam instáveis nos últimos tempos e ora desencaixam, ora não. Dessa vez foi a hora do "não". 

Como o braço passou o dia de ontem meio dolorido, lá fomos nós procurar um médico, tirar radiografias e por fim ouvir uma mensagem para alívio de nossos ouvidos: "Fue sólo um golpe, no más".

O segundo mistério acompanha o primeiro: após ouvir isso, o braço simplesmente parou de doer !!! E analgésicos e antiinflamatórios receitados deixaram de ser necessários... rsrs

Resolvido isso, passamos a buscar uma bicicletaria que deixasse a roda dianteira recém entortada e depois meio arrumada em formato de um círculo perfeito. Os argentinos, contudo,  com seu jeito gaúcho de ser não nos deram muita atenção, até que encontramos uma bicicletaria ao menos aceitou receber a bicicleta em seu estabelecimento (deveria dizer aposentos, tal parece ser a reserva com que os clientes são recebidos) . Quando voltamos, contudo, a bike estava do mesmo jeito. Mexeram nela às pressas e o único resultado visível foi um dano no sensor do velocímetro.

Tem que ter paciência...

domingo, 13 de março de 2011

Rodadas

Dormidos e acordados, fomos tratar do que interessa: rodar !

E para isso, first of all, remontamos as partes desmontadas (que não eram muitas) e fizemos aquele check up básico geral das máquinas. Com a minha tava tudo bem, mas seria necessário um ajuste na roda diateira da bicicleta da Alice para que ele ficasse menos parecida com o número oito. O anjociclo da guarda me alumiou sobre a forma como se usa uma chave de raio e os princípios gerais da física que regem as leis das rodas raiadas.

Prá fazer isso, a cabeça deve funcionar meio ao contrário, pq normalmente se gira parafuros nos sentido horário para apertá-los, porém no caso dos raios giramos as porcas (a cabeça do raio seria o parafuso) e por isso temos que girá-las no sentido anti-horário para apertar os raios. Além do mais, os raios sustentam as rodas por tensão... se quisermos desentortar um torto à esquerda, por exemplo, temos que apertar o raio do lado direito. Entendeu ??? A Alice aqui do lado me diz que nem ela entendeu...

Pois considere que se eu, com toda a habilidade manual que sempre me faltou, consegui desentronchar a roda, é pq tive a inestimável ajuda do benfeitor anjociclo da guarda.

Por vias das dúvidas, saímos prá tentar encontrar uma bicicletaria que aprovasse ou melhorasse meu trabalho. Mas hj é domingo, pé de cachimbo... nem em sonho haveria uma bicicletaria aberta.

Então saímos meio que assim assim com o fim de testar as bicicletas e terminamos por rodar 70 km (Llao Llao e Circuito Chico). Se tivesse imaginado que seria isso tudo, não teria coragem !!

E... com isso, consideramos o trabalho da roda dianteira está aprovado.

Pedalada de hj: 72 km

sábado, 12 de março de 2011

Em Bariloche


Chegamos !!!
E as bicicletas estâo (aparentemente) inteiras. No despacho da minha, aliás, tive uma rusga com a mocinha do check in, pq ela não quis despachá-la sem  embalagem alguma. Mas vejam o que diz o site da TAM:

"Bicicletas
Serão aceitas normalmente como bagagem despachada com os pneus vazios, pedais removidos e guidão alinhado."

Como vc entende esta frase ??
Eu entendo que a bicicleta pode ser despachada como veio ao mundo. A mocinha, porém, disse que "subentende-se que devem vir embaladas". Vá ser boa em subentendimento assim em outro planeta.
Pois bem, o meu irmâo que foi me levar ao aeroporto saiu lá com a bike prá embalá-la em plástico bolha num daqueles serviços "protect bag" e cinco minutos depois ela voltava um tanto estranha. Os humanos contemporâneos parecem estar acometidos por uma espécie de polimerofilia  e, por isso, imaginam que o plástico é feito de aço (ou melhor, de adamantio, aquele material usado para fazer as garras do Wolverine), capaz de resistir a todos os choques conhecidos pela Física.

Pois bem, voltando às bicicletas, a minha chegou inteirinha, o que demostra que o plástico é mesmo feito de aço !!! rsrs
Já a bike da Alice chegou com a roda dianteira torta, com dois raios bastante afetados. Ela despachou a bicicleta semi-desmontada e embalada numa caixa de papelão. No desembarque em Bariloche vimos a caixa embaixo de TODAS as outras malas. Como todos sabem, apenas o plástico é feito de aço, não o papelão, e considerando as condições em que vimos a caixa no desembarque, uma roda torta foi o menor dos males. Essa bicicleta deve ter um excelente anjocliclo da guarda.

Portanto, as primeiras duas fases da viagem, partir e chegar, já foram concluídas. E já podemos anotar 3.000 km na nossa cicloviagem. rsrs