Em nenhum outro estilo de viagem melhor se aplica o sábio ditado: "Antes só do que mal acompanhado".
domingo, 9 de janeiro de 2011
Dez Mandamentos de um Cicloturista Eventual
Em nenhum outro estilo de viagem melhor se aplica o sábio ditado: "Antes só do que mal acompanhado".
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Pós-Pago
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Contribuinte do IPVA
Após dois anos sendo um pedestre ortodoxo, passei nesta semana que passou à condição de cidadão sedentário, poluente e contribuinte do IPVA.
Prá quem ainda não entendeu ou está catatônio com a notícia, esclareço para que nenhuma sombra de dúvida reste: comprei um carro !!!
Ficha técnica: Honda Fit LX, 2007/2008, daquele modelo antigo, não este parecido com o Darth Vader que fizeram agora (os menos confiantes em sua masculinidade dizem que é carrinho de mulher dona de casa), motor 1.4 Flex, câmbio mecânico, ar+direção+vidros elétricos, roda de liga original, cor branca com espelhamento e spoiler traseiro (muito mauricinho).
Esqueci de um detalhe: os bancos são revestidos com couro. Dizem que o couro é bastante apropriado para revestimento dos assentos de veículos por facilitar a limpeza. E sabem voces, por experiência própria ou observação de autos alheios, que as desagradáveis manchas de sexo no banco traseiro não podem ser removidas facilmente de tecidos sintéticos, provocam constrangimento social e reduzem o valor do bem na hora da troca.
sábado, 5 de dezembro de 2009
A corrida de dezembro
E eu achei que só faria tempo menor que 45 minutos na próxima encarnação.
Nem preciso dizer que a velhinha não teve a menor chance. Nem perto ela chegou. A emocionante disputa de hoje foi com o japonês de canela fina, que comeu poeira e foi fragorosamente ultrapassado no último quilômetro.
Adotei alguns pequenos truques prá ajudar na melhoria do tempo:
- saí na frente do pelotão, muita gente foi me passando, mas eu não precisei driblar o pessoal de trás, como fiz nas outras corridas.
- corri no meio da rua, onde tem menos desnível lateral.
A primeira volta (4,5 km) eu fiz bem rápido, 21'40'', e por isso eu segurei um pouco no começo da segunda volta. A minha pior parte é o sobe-e-desce do início do percurso, que quebra o ritmo. E a melhor parte é o final. No ultimo quilômetro eu acelero bastante. Acho que eu baixo o tempo do último quilômetro em mais ou menos um minuto.
Pequeno resumo dos feitos memoráveis do Paulo Fabro no Parque Tingüi:
Agosto: só uma volta...
Setembro: estava em férias, não fui...
Outubro: 51'58''
Novembro: 49'07'' e chego na frente da velhinha
Dezembro: inacreditavéis 44'41'' :)
Já tô achando aquele pessoalzinho que corre lá na frente com aqueles shortezinhos estilo "desejo de ser possuído" e faz o percurso em 30 e poucos minutos bem mais ou menos... bem fraquinho...
Eles devem ter eu seu patrimônio genético algum cromosso herdado de uma tartaruga obesa de três pernas.
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sábado, 7 de novembro de 2009
Mais uma corrida
Notícia esportiva da semana: fiz mais uma corrida do circuito noturno.
Como tive um treinamento rigoroso e científico nos últimos 30 dias (sem orientação, sem método, sem marcar tempos ou distâncias e correndo quando dá vontade), meu tempo melhorou em 3 minutos.
Foram 9 Km em 49 minutos e 7 segundos. E cheguei inteiraço, sobrando...
Fiquei em 122º lugar, no masculino, dentre 184 corredores. O que me permite concluir que tem muita gente roubando, correndo só meio percurso e fingindo que corre tudo. Não é possível tanta gente assim na minha frente.
hehehehehe
Que nada! Tem uns anormais lá que correm muito.
Percebi que o clima definitivamente influencia as atividades físicas ao ar livre. Como esta semana estava (muito) quente aqui em Curitiba, o número de corredores aumentou bastante, foram 297 inscritos. Tá certo que muita gente não foi lá prá correr, mas prá conversar.
Muitos amigos vieram todos juntos e corriam lado a lado, num alegre congraçamento, ocupando a toda a largura da pista. Quem quisesse passar tinha que subir nas árvores ou passar nadando pelo lago. É uma espécie nova de triathlon, com corrida, natação e escalada em árvores. hehe
E apareceram alguns folclóricos... tinha um malucão, que correu proximo a mim uma meia volta, que calçava um tênis cheio de luzes no calcanhar e com guizos. Como alguém pode correr com aquele barulhinho metálico no ouvido ???
O calor também provocou uma pelhoria (é o piorativo de melhoria) dos tempos. Não do meu tempo, que melhorou extraordinariamente, uns 3 minutos em relação à última corrida (uau, que heróico !!!) O tempo dos ponteiros é que piorou.
Eles foram uns 2 minutos mais lentos em relação á ultima corrida... tsc tsc tsc
(só tem um detalhe que quase esqueço de mencionar: ainda assim, eles chegaram 15 minutos na minha frente).
Mas... o melhor de tudo, o mais importante, a augusta glória suprema, é que eu cheguei na frente da velhinha.
Tem uma velhinha que sempre me passa no início da segunda volta. Desta vez ela me passou e eu logo pensei: "Lá na subida assassina eu pego ela".
Peguei nada. Depois de muito meditar percebi que é justamente na subida que ela ganha de mim e me passa.
O pior não é isso! O pior é que ela me passa, mas fica ao alcance da visão, como se dissesse "Bobããããão, vc não me pega".
Grrrrrrr !!!! Ai que raiva !!!
Mas desta vez a coisa foi diferente. Passei a velhinha no último quilômetro e meio, na minha arrancada final.
hohohoho E ai, quem é o bobão ????? Fala agora, velhinha !!!!
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Circuito Noturno de Corrida


\o/ Gol do Corinthians !!!! Uhu !!!
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Momentos finais da monografia
21:35 hs... e escrevi míseras 5 páginas e mais quase meia desde às 18:00 hs...
Tô perdendo a prática !!! Meu mal foi tentar resumir o que eu li em vez de citar integralmente. Mas acabo de me lembrar que isso faz parte da estratégia. Fica mais fácil para concluir logo depois. Eu tenho uma monografia toda bem traçada, só tenho que me lembrar dos passos.
Pois bem, agora estamos na fase quase-acabada. A monografia leva o pomposo título de "A possibilidade de ressarcimento do crédito presumido da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins instituído pelo art. 8º, caput, da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004"
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E se considerarmos que os incentivos fiscais (entre eles o crédito presumido) são por si só um exceção aos principios da neutralidade e uniformidade da tributação e da livre iniciativa (pois é uma forma de intervenção estatal na economia), então posso concluir que a aplicação destes incentivos deve observar os limites estritos definidos na lei, a chamada "interpretação restritiva", pois normas de exceção interpretam-se restritivamente...
Nesse caso a interpretação da Receita Federal seria compatível com a Contituição...
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Pois bem, alternativa "a" ou "b" ?????
Resolve aí... Lança uma moeda...
Cara: alternativa "a"
Coroa: alternativa "b"
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domingo, 26 de julho de 2009
sábado, 25 de julho de 2009
domingo, 19 de julho de 2009
É hj que eu começo
sábado, 18 de julho de 2009
Tenho que começar minha monografia
Já que é monografia, podia ser feita de uma só palavra...
terça-feira, 9 de junho de 2009
Minhas panelas são um luxo !!! rsrs
quarta-feira, 27 de maio de 2009
A Cerimônia do Adeus
terça-feira, 19 de maio de 2009
Reflexões de Ademar Cobra
"Se for prá acabar, o mundo vai acabar em papel, em cachorro ou em crente. Um deste três. Porque eles só aumentam !!!!"
segunda-feira, 23 de março de 2009
Crônicas Hospitalares III
sexta-feira, 20 de março de 2009
Crônicas Hospitalares II
quarta-feira, 18 de março de 2009
Crônicas hospitalares I
É hoje o dia de entrar na faca. Ou melhor, no espeto, já que a cirurgia será por videolaparoscopia, aquela em que são feitos três furos na barriga: um para a câmera e outros dois para os instrumentos. Lá vou eu para o hospital com a tranquilidade disponível e aquela preocupação básica: "oh céus, ai de mim, um pobre ser humano às voltas com as deficiências que a biologia me legou".
Confesso que na consulta com o anestesista, há uma semana, levei alguns sustos. Ele falou algo como "é aplicado um anestésico que age no sistema nervoso central e um relaxante muscular. Com isso vc perde a capacidade de respirar". Não quis interromper a conscienciosa exposição do médico, mas, de repente, me peguei a imaginar como seria capaz de prender a respiração por mais de uma hora, mesmo estando desacordado. Seria o novo recorde mundial !!!!
Ele então me disse que eu seria ENTUBADO. Obviamente o anestesista estava duvidando da minha masculinidade... Descubro, em seguida, que o tal do tubo, felizmente, seria colocado na boca e ligado a uma máquina que me faria respirar. Ufa! Contudo nos "esclarecimentos finais" ainda: "caso haja alguma dificuldade de entubar, pode haver danos aos dentes, talvez quebrar algum deles..." Francamente, o médico devia poupar os pacientes de alguns detalhes.
Pois bem, chego ao hosptital às 7:00 hs, para uma cirurgia marcada para as 11:00 hs. Não acontece nada até às 10:30, quando entra um enfermeira, mede a pressão e a temperatura, me dá um avental prá vestir e vai-se embora. Mais uns 10 minutos e vem o maqueiro, apressado, pede prá eu pular na maca e arranca em direção ao centro cirúrgico, falando que tem que correr pq está faltando maqueiro.
O centro cirúrgico me lembrou uma cozinha de restaurante. Gente entrando e saindo das salas de cirurgia, lavando as mãos (eles lavam os braços também) e um barulho de pratos e talheres, que na verdade eram os intrumentos.
O anestesista me pergunta mais uma vez se sou alérgico a alguma coisa e eu respondo a mesma coisa de sempre: "não que eu saiba". Aí começa aquela encenação básica: um médico fala comigo, me pergunta no que eu trabalho, enquanto outro espeta uma agulha na veia. Respondo: "Sou fiscal da Receita Federal. Sei que os médicos não gostam dos fiscais (nem fiscal gosta de fiscal), mas que não pensem em se vingar em mim hehe" E eles então começam a falar da declaração do Imposto de Renda, enquanto eu penso que, por mais profissionalismo que se espere de alguém, aquele realmente não era o momento ideal para prestar informações sobre o assunto.
Mais uns segundos sinto um pequeno formigamneto no ombro e apago. Acordo duas horas mais tarde. A única coisa diferente de acordar de um sono comum foi a pomada nos olhos e os três furos na barriga. Prontinho !!! Simples e rápido !!! Sobretudo depois que já passou. Como diz o velho ditado, "nada a temer, a não ser o próprio medo".
terça-feira, 17 de março de 2009
A geladeira de Godot
Tente imaginar quantas vezes eu tive que ouvir: "você não come, por isso está magro assim" ???? Ora, francamente, meu IMC está em 20,5. A falta de peso só seria um problema de saúde se meu IMC estivesse abaixo de 17.
Contudo, estes argumentos objetivos não a convenceram... ela continua pensando que estou magro e eu não entendo o porquê disso: 63 kg me parece um peso bastante razoável. E, pior, sem nenhuma prova científica que apóie seu ponto de vista, crê que a suposta magreza é consequência do meu saudável hábito de fazer apenas uma refeição completa por dia.
Tudo, porém, tem seu lado positivo: hoje acordei com o primeiro café da manhã já visto (e comido) naquele apartamento desde que me mudei prá lá!!!!!
Subitamente compreendi: minha geladeira enfrenta uma crise existencial ! Não enxerga um propósito para o eterno ligar e desligar de seu compressor, para a circulação dos fluidos, as paredes grossas, as limpas prateleiras envidraçadas, o frezzer potente, os compartimentos elegantes e ergonômicos, a lâmpada oculta que se acende a cada abrir de portas e a tecnologia que lhe permite fazer frio sem fazer gelo.
Tudo pronto e tudo parado. Com a respiração suspensa -- tal qual milhares de pessoas num estádio lotado à espera da cobrança de um pênalti marcado aos 47 minutos do segundo tempo -- aguarda após o raiar de cada dia que algo indefinível e desconhecido finalmente aconteça.
Há, por vezes, aquele corpo humano que abre a porta e debruça-se à sua frente. Com orelhas maiores que os olhos, mira curioso o seu interior por sobre os aros dos óculos, como se olhasse para uma paisagem distante, uma pradaria sob geada ou uma montanha semi-envolta em neblina. Contudo, este parece nunca encontrar o que deseja. Fecha a porta sem outro gesto que lhe permita adivinhar o que veio fazer ali.
Mais uma noite e mais um dia. Quem sabe amanhã...
É preciso encontrar uma solução terapêutica para o problema da geladeira !!!!
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Pensamento do dia
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Voo Isla Margarita Los Roques
Eita lugarzinho ruim, não imagino o motivo de tanta fama. Se vc ainda não foi lá, não perca seu tempo. Isla Margarita não é uma ilha do Caribe, deve ter sido criada em outro oceano e depois foi arrastada até o Mar do Caribe. Tem belezas naturais equivalentes a uma praia gaúcha e a presença humana não melhora o cenário. Há muita sujeira e os serviços são horríveis. Um retrato da Venezuela na era Chavez.
Aparentemente há um voo regular. Aparentemente... a Venezuela não é terra para quem gosta de certezas!
Se vc procura informações sobre voos entre Isla Margarita e Los Roques e não encontra nada, agradeça aos céus. É trabalho do seu anjo da guarda que quer lhe poupar dissabores na vida terrena. Ouça o que seu anjinho tenta lhe dizer: "vá para Los Roques (que é fantástico) direto de Caracas e passe longe de Isla Margarita". Ele deseja muito fazer esta boa ação, pq só lhe falta isso para ser promovido a arcanjo rsrs
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Isla Margarita é uma bosta
Façamos um acordo: não perco meu tempo contando as agruras que passo aqui e você não perde seu tempo vindo prá cá.
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Venezuela
A Venezuela não funciona exatamente como um relojoeiro desejaria e nosso grupo, não conseguindo fazer todas as reservas necessárias, teria de apelar para a fé na Providência Divina. Penso que, se o Universo todo foi criado sem nenhum planejamento preliminar, as nossas férias, um evento com dimensões significativamente menores, também poderiam dele prescindir.
Quatro já haviam chegado no dia 27/12 e tiveram que enfrentar, por seis horas num táxi, 300 e poucos quilômetros de Caracas a Puerto La Cruz. De lá, outras duas horas em ferry boat para chegar à ilha.
Chegamos Kathleen e eu ao aeroporto de Caracas às 6:00 hs. da manhã e fomos tentar conseguir um lugar em lista de espera num voo para a Isla Margarita e assim evitar o trajeto por terra e mar. Abaixo de um luminoso amarelo que identificava a empresa aérea havia, não uma fila ou lista de espera (como se espera), mas um democrático embolado de espera, o qual não discriminava sexo, cor, credo, classe social ou ordem de chegada. Ali ficamos até que uma atendente gorduchinha sinalizou à nossa intuição que começaria a escolha de alguns eleitos que desfrutariam a invenção de Santos Dumont, deixando a grande maioria no mesmo lugar onde até então estivera.
Mantenha a coluna ereta e a mente tranquila, gafanhoto! Séculos de meditação em milhares de mosteiros ensinou algo a outros que agora aproveitaria a mim.
A senhora gorduchinha observa aquele estranho ser esquálido, calado, catatônico, circundado por uma população obesa que levanta notas de dinheiro e brada pedidos antecedidos por "amor", "corazón", "mi vida", "mi cielo". Curiosa, olharia para o ser plantado tal qual uma árvore à espera do vento, com uma mochila às costas, aparentado a uma experiência mal-sucedida de cruzamento genético entre tartaruga e Marco Maciel.
Quais desígnios do destino e programas de milhagem, quais passos haveria caminhado, quantas cadeiras heveria ele sentado até chegar àquele saguão ? Por que cargas d'água, afinal, não levanta os braços ou empunha notas? Estaria sem forças após uma noite passada, entre cochilos, à base da alimentação fornecida pelo serviço de bordo?
É o momento! Fui olhado e visto. Eu existia para a aviação comercial! Estendo o braço com os passaportes à mão, à velocidade de reflexos que fariam lembrar a todos que, uma vez mesatenista, assim o serei enquanto mantiver meus membros superiores.
O tempo não pára, mas pode reduzir sua marcha se forem mais abundantes as sinapses no cérebro. Olhando os livretos, a senhora, movida pela mesma genética da qual falávamos a pouco, lembrou-se de outro saguão, assim chamado salão, e das cadernetas de baile de sua avó, envolvidas em papel de seda e guardadas como troféus, prova material dos felizes anos da juventude. As cadernetas eram compostas entre o recato e o atrevimento, obtendo o difícil equilíbrio de preservar alva a reputação e afastar o "chá-de-cadeira". Circulariam entre os pretendentes por toda a Quaresma, enquanto moças e rapazes arranjavam-se como podiam para treinar os passos de dança, até que chegasse o aguardado Baile de Aleluia, no sábado acompanhado pela mesma conjunção adjetiva.
Para onde foram aqueles dias? Que forças levaram a Humanidade a extinguir as cadernetas de baile e proliferar os passaportes? Aqui no saguão, antes chamado salão, não há esperas que valham 40 dias. Demasiados são 40 minutos. Repetem-se "amor", "corazón", "mi vida", "mi cielo", mas quem diz isto não mais pede uma dança, somente implora por assento num vôo que o leve mais longe e, mais tarde, a maiores decepções.
Por um quase momento a senhora corre os olhos pelo braço esticado e procura os outros olhos escondidos entre lentes e olheiras. "Dónde buscas llegar, flaquito?". Estica o quanto pode os braços curtos, ponteados por dedos roliços. Não teria chances como mesatenista. Toma os passaportes. Estava feito: nós não conheceríamos Puerto La Cruz e o ferry boat.
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Oração de Natal
Eu também gostaria de agradecer a Deus por todas as coisas boas que aconteceram neste ano e pedir, não a Deus, mas a todos que estão aqui que parem de desperdiçar cerveja. Em toda festa feita aqui na chácara a gente recolhe um monte de garrafas com cerveja ainda pela metade. Quero apelar prá responsabilidade social de todos: aberta uma garrafa, vamos até o fim dela.
Peço a Deus que derrame sua bênção sobre nós e ilumine esta família prá que faça bom uso da cerveja que tivemos a graça de receber.
Amém Jesus !
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Macunaíma
Numa das festas de república em Sorocaba, uma moçoila já meio embalada pela bebida e pelos apupos da platéia, iniciou um tímido streap-tease. Porém, a sensualidade da performance sofreu grave prejuízo, pois, ao tirar a blusa, teve ela o cuidado de dobrar a peça e depositá-la cuidadosamente numa cadeira próxima.
Deve ser uma moça do signo de Virgem, com ascendente em Virgem. E Júpiter, Lua, Santurno, Vênus, Marte, cometa Halley e telescópio Hubble, todos empilhados (de modo organizado, claro) uns sobre os outros na casa de Virgem.
E deve estar virgem até hoje....hehehehehe
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
João Pessoa, Paraíba
Sendo o ponto mais oriental, o sol nasce mais cedo. Esta noite fiz uma experiência científica: deixei a janela aberta, dormi ouvindo o marulho das ondas e acordei quando o sol estava nascendo, inacreditavelmente às 4:30 da manhã. E às 5:30 da tarde anoitece... Curiosamente não há horário de verão por aqui. Deve ser decorrente de algum costume milenar japonês, que não permite mudanças de fuso-horário no oriente.
Na Ponta do Seixas tem um marco, uma construção pontuda, e ao lado um vendedor de cocada. Prá cá um pouco, tema Estação da Ciência e Tecnologia. Projeto do Niemeyer, como quase todo prédio público do país com ares de monumento. A curva, a reta e muito concreto armado... já enjoou, não? A cada novo edifício do Niemeyer, mais admiro a Bauhaus.
Francamente, gostei mais da cocada. O nobre cocadeiro fez uma composição cocada com goiabada o que tornou a guloseima deveras interessante, além de fornecer licopeno aos comensais. Registre-se que a cocada não era de côco, naturalmente. Note que o côco é mais fibroso e mais duro que uma cocada standant. Para ser engolido, um pedaço de côco deve ser mastigado um cem número de vezes. A cocada, ao contrário, que pode ser deglutida facilmente, pois em sua composição o côco é substituído pelo caule do mamoeiro. Esta planta, tipicamente tropical, têm crescimento rápido e fornece muito mais biomassa por unidade de área/tempo, quando comparada ao côco. Ambos, côco e caule de mamoeiro, não tem um sabor muito acetuado, uma excelente oportunidade para que a indústria alimentícia engane o paladar do contribuinte.
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Óculos novos
Os óculos novos têm um grau no olho esquerdo e três no direito. Acho que o cérebro ainda não se acostumou e com o olho esquerdo vejo os objetos maiores se comparado ao olho direito. Tudo parece tão pertiiiiiinho... Olho quatro vezes para o semáforo e para os carros antes de atravessar a rua. Já nem sei se os carros estão parados ou andando. E juro que não fumei nada ilícito.
Começo a pensar que o John Lennon não usou LSD para compor "Lucy in the Sky with Diamonds", como todos imaginam. Apenas trocou os óculos !!!!!
hehehehhehehe
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Ilha Grande - Primavera (?)

No fundo queria me sentir como um humano indomado de há cem mil anos atrás, livre a caminhar pela savana africana, sem nada que o governasse, sem emprego fixo, sem pagar impostos, sem relógio, sem se preocupar com o vai-e-vem da bolsa e do dólar, sem férias e sem imaginar por que cargas d'agua alguém iria se preocupar com o clima durante as férias.
Porém, se isso fosse bom, a Humanidade ainda não teria mudado de hábitos. Férias com chuva é, literalmente, uma água. E as trilhas da Ilha Grande estão impraticáveis. Na ladeira escorrega-se. Nas partes planas o pé afunda...
Acabo de pressentir que todo o desconforto que nós sentimos em nossa sociedade moderna, com todo o cipoal de regramentos e condicionamentos, transforma-se em revolta inconsciente contra os sites de previsão de tempo. O que nós queremos mesmo é afrontar a ciência e toda sua empáfia previsiva. Materemos uma dúvida esperançosa em nossos corações. Pensamos: "Estes mauricinhos ficam com os narizes colados no computador e nunca viram uma nuvem ao vivo. Não podem estar certos o tempo todo. Vou lá e, se der sol, vou rir muito deles"
O problema é que eles acertaram! De novo!
Meu consolo é que eles não vão rir de mim hahahaha, já que nem sabem quem eu sou. hehehehehhe
UHU! \o/ se ferraram, eles não sabem quem eu sou e não podem rir de mim...
Terça-feira, na travessia (com chuva, claro) entre Mangaratiba e a Ilha Grande pensava com meus botões: "por cima dessas espessas nuvens negras há o Sol que converte, a cada segundo, milhões de toneladas de Hidrogênio em Hélio. Depois a fusão nuclear continua, convertendo Oxigênio, Carbono, Nitrogênio e mais outras coisas que não lembro, só sei que o mais pesado da fila é o Ferro. E até que todo o Hidrogênio do Sol acabe estas nuvens vão ter que ir embora".
Muito simples e lógico este raciocínio. Temo, porém, que as férias acabem antes.
Na quarta-feira acordo e abro a janela do quarto. UAU!!!! que lugar paradisíaco. A NATUREZA É TÃO NATURAL !!!!! O céu está cinza claro e isso me deixa mais animado. A camada de nuvens acima da ilha deve ter apenas alguns quilômetros e pelo menos 5% da luz solar é capaz de atravessá-la. Percebo que é muito fácil observar pássaros por aqui. Eles ficam enfileirados nas árvores, paradinhos... as penas devem estar grudadas nos ossos depois de uma semana de chuva. Um deles faz movimentos com a garganta e imagino que está aquecendo suas cordas vocais, tal qual um barítono nas óperas de Verona, para encantar a todos com seus gorgeios.
O que ouço em seguida, entretanto, é um espirro...
Tomo um café e saio a caminhar. Quase não chovia e por isso eu fiquei praticamente seco do umbigo prá baixo. Os gringos parecem se deliciar ao descobrir que chove na "Rain Forest". Veja só que poder tem a linguagem sobre as pessoas! Nós estamos acostumados com as fotos ensolaradas do Rio de Janeiro e achamos que aqui chove tanto quanto no sertão cearense. Já os gringos chamam a Mata Atlântica de Rain Forest, por isso o que eles esperam é chuva mesmo. Devem estar adorando...
À noite fui jantar numa pizzaria. Creio que a instalação de lareiras nas pousadas contrastaria com a imagem tropical do RJ. Mas o dono da pizzaria logo identificou uma oportunidade de negócios e colocou mesas ao lado do forno, muito concorridas, o que justificou inclusive a cobrança de uma sobretaxa. Ao abrir o cardápio, entretanto, vejo que fora sobreposto um grande "X" à palavra "pizza". E logo acima havia escrita uma nova palavra: "ENSOPADOS".
Nada restou seco aqui na ilha. Por isso agora temos Sopa Marguerita, Sopa Quatro Queijos, Sopa de Aliche, Paulista, Portuguesa, Álho e Óleo, Calabresa, Napolitana, Atun, etc.
Falando francamente, essa chuva já enjoou (e já tirei o acento, se é que existia, para melhor me preparar para a reforma ortográfica). Criam Ministério do Turismo, Secretaria Estadual do Turismo, Secretaria Municipal do Turismo, RioTur, Embratur e NINGUÉM FAZ NADA PRÁ ESTA CHUVA PASSAR. Todo esse bando de funcionários públicos confortavelmente instalados em seus gabinetes, recebendo polpudos salários, de braços cruzados esperando o tempo melhorar sozinho. Como diria o Boris Casoy, isto é uma vergonha!!!!!
Vou tentar falar com a moça do tempo que aparece no Jornal Nacional e ver se ela empurra a frente fria pro norte da África. O Sahara deve estar precisando mais dessa chuva que nós. E leva essa Zona de Convergência do Atlântico Sul prá Austrália, ou prá lá um pouco. Se a Rede Globo manda mesmo neste país, como dizem, ela é a minha última esperança.



