quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Circuito Noturno de Corrida

Estou eu aqui diante da TV para assisitir o Glorioso Coringão jogar com Fluminense. Quem sabe jogando contra o lanterna isolado (e bota isolado nisso) o Corinthians resolve ganhar.
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Pois bem, falando em esportes, ontem fui correr no Circuito Noturno de Corrida, no Parque Tingui. Resumindo: completei a prova !!! 9 km em 50 minutos e 58 segundos. E ninguém ouse arredondar para 51 minutos. Saibam que nos últimos 200 ou 300 metros de prova dei uma embalada final que me custou muita raça, determinação, senso de oportunidade, talento, consciência corporal, automotivação, planejamento estratégico, sincronismo motor e vontade de aparecer bem na fotografia.

Tem mesmo um fotógrafo que fica próximo à linha de chegada tirando fotos. Vc não tem a idéia da alegria que é ver aquele flash espoucando (céus, essa palavra existe ?) à frente e saber: "Graças a Deus, TERMINOU !!!!" hehehe

Além de proporcionar uma espetacular melhoria de 2 segundos no tempo, a embalada final ajuda a chegar com mais estilo, passadas largas, cabeça erguida, pulmões inflados, transbordante de autoconfiança, com toda pose de quem está inteiríssimo e bem poderia correr mais uma Maratona, inclusive com provável quebra do recorde mundial, se não fosse o compromisso enteriormente assumido de tomar um chá com a vovó antes que termine a novela.

Putz. Gol do Fluminense... com menos de 5 minutos de jogo...Tá maus !!!! Dizem que a inveja é uma merda, mas a defesa do Corinthians é pior hehehe Nos últimos jogos tem perdido só de goleada.... Voltemos à corrida.

O meu tempo não foi nada mal, considerando que estou há mais de um mês sem fazer nenhuma corridinha. Também não foi um espetáculo, claro (prá falar a verdade tá bem ruim, mas reluto em cofessar isso). Poderia ter sido um pouco melhor, talvez uns 2 minutos, se eu não me empolgasse tanto no começo. A prova toda são duas voltas no Parque Tingui. A primeira parte do percurso, uns 2 km, tem vários sobe-e-desce. Não são subidas fortes, mas enfim, atrapalha um pouco. Aliás, a penúltima subida é meio assassina, tem um pedacinho bem íngreme e, por isso, é um bom lugar prá descobrir uma coronária meio entupida ou tendência à taquicardia pelo método mais desagradável. A segunda metade do percurso, ou seja, o retorno, é plana. Veja o mapa:


\o/ Gol do Corinthians !!!! Uhu !!!
Do Dentinho.

Pois bem, na primeira volta eu me empolguei e corri mais rápido do que deveria. Quando comecei o sobre-e-desce da segunda volta, as pernas começaram a reclamar e doía o músculo da bunda. Quando a dor chega na bunda, merece atenção !!!!! O jeito foi manerar e fui trotando toda a segunda volta a passo de tartagura.
Quando acabaram as subidas e comecei a fazer o retorno eu só pensava: "A única chance de eu completar esta prova é com motivação extra: passar uma gostosa aqui prá eu correr atrás".

Que gostosa nada. Todo mundo me passando, mas nada de gostosas. Resultado: primeira volta em 22 minutos e pouco; segunda volta em mais de 28 minutos !

Vivendo e aprendendo.
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terça-feira, 11 de agosto de 2009

Momentos finais da monografia


Enquanto vc, nobre internauta, está aí em sua casa desfrutando de um merecido repouso enquanto assiste a Suria tramar contra a Maya, estou eu aqui tentando terminando a monografia.

21:35 hs... e escrevi míseras 5 páginas e mais quase meia desde às 18:00 hs...
Tô perdendo a prática !!! Meu mal foi tentar resumir o que eu li em vez de citar integralmente. Mas acabo de me lembrar que isso faz parte da estratégia. Fica mais fácil para concluir logo depois. Eu tenho uma monografia toda bem traçada, só tenho que me lembrar dos passos.

Pois bem, agora estamos na fase quase-acabada. A monografia leva o pomposo título de "A possibilidade de ressarcimento do crédito presumido da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins instituído pelo art. 8º, caput, da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004"
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Momento de decisão !!!! Penalty aos 47 minutos do segundo tempo... bola cuidadosamente colocada na marca, parada a dez jardas do gol, goleiro se agita, torcedor calado, juiz apita, o batedor levanta a cabeça: "Escolho o canto direito ou o canto esquerdo ??????"
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Altenativa "a"
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Se eu privilegiar o princípio da igualdade, neutralidade, uniformidade, etc eu posso concluir que a interpretação da Receita Federal (que conclui não ser possível o ressarcimento em espécie) está errada, porque deixa, por exemplo, o contribuinte exportador com um mico na mão que são os créditos que ele não pode transformar em dinheiro. E isso o coloca numa posição desigual em relação àquele que opera no mercado interno, se um critério de diferenciação que seja razoável.
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É isso ou começar a operar no mercado interno também, no qual ele apura débitos e assim o crédito presumido poderá ser útil. Mas isso interfere na regular atividade do empresário... por isso a interpretação da Receita estaria em contradição com princípios constitucionais.
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Alternativa "b"
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E se considerarmos que os incentivos fiscais (entre eles o crédito presumido) são por si só um exceção aos principios da neutralidade e uniformidade da tributação e da livre iniciativa (pois é uma forma de intervenção estatal na economia), então posso concluir que a aplicação destes incentivos deve observar os limites estritos definidos na lei, a chamada "interpretação restritiva", pois normas de exceção interpretam-se restritivamente...
Nesse caso a interpretação da Receita Federal seria compatível com a Contituição...
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Pois bem, alternativa "a" ou "b" ?????
Resolve aí... Lança uma moeda...
Cara: alternativa "a"
Coroa: alternativa "b"
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Assim se faz "ciência" do Direito !!!

domingo, 26 de julho de 2009

Pensamento do Dia

"Em briga de saci não vale rasteira"

sábado, 25 de julho de 2009

Pensamento do Dia

Saiba se vc está velho observando seu colchão.
Se estiver molhado, já sabe !!!

domingo, 19 de julho de 2009

É hj que eu começo

É hoje !!! É hoje que eu começo. Deixarei para trás as dúvidas e revoltas do tipo "prá que é que eu vou fazer essa malsinada monografia se ninguém vai ler ???" Muito simples, Gafanhoto, prá se livrar de vez dela.
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Minha primeira dificuldade é que não tenho afeição por Direito. Depois da minha graduação passei 12 anos longe da Universidade e verifiquei que não me fez falta nenhuma. Direito como ramo do conhecimento é "fake", prá usar uma palavra que se tornou comum na internet. E a Universidade também tá bem fake, virou um instituição medieval cheia dos rituais, mas hj não vou avançar nesse assunto.
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Direito não tem método nem fundamento, é só um amontoado consensual de palavras. Ninguém precisa ter pudores em defender as teses mais tresloucadas. Se colar, colou. Se não, ninguém vai se lembrar disso amanhã.
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Por isso vai aqui um palpite: quem já sabe manejar os conceitos e mecanismos básicos do Direito pode parar de estudar. Uma hora antes de ter que escrever alguma coisa faça uma pesquisa nos sites dos tribunais, recorte e cole o que vc encontrar por lá. De nada adianta saber profundamente um assunto (um parênteses, saber profundamente alguma coisa em Direito é impossível, Direito não é profundo, é raso, é o obvio envolvido em gravatas e palavras que soam mal), pois se o Judiciário, o professor ou o ser superior de plantão que irá ler o que foi escrito sabe menos, o problema é seu. E ainda estou considerando que as questões em Direito são resolvidas com base em conhecimento... que ingenuidade a minha. A melhor estratégia ainda parece ser a adulação emplumada.
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Chega dessa conversa. Meu objetivo aqui é começar a monografia. Prá ser mais exato, meu maior obejtido agora é adiar este começo, por isso estou no blog hehehe
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Li vários artigos ontem e copiarei a estrutura deles. Primeiro, um grande histórico. Páginas e páginas podem ser preenchidas com a "evolução legislativa". E os artigos de lei em Direito Tributário costumam ser grandes, vão preencher muitas páginas. Depois vem a parte de caça-palpites, onde vou citar o que eu já li. Mais recorte e cole. Claro, só vou citar aquilo que apóia minha conclusão.
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E por fim, a conclusão !!! Duas páginas !!!
E tá pronto.
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Tenho que terminar isso logo porque na próxima quinta-feira tenho uma cirurgia e quero terminar pelo menos o basicão até lá. E a data de entrega da monografia é 10/08. Fui !!!

sábado, 18 de julho de 2009

Tenho que começar minha monografia

Tenho que começar a monografia... tenho que começar a monografia.... PRECISO MESMO COMEÇAR A MONOGRAFIA !!!!
Já que é monografia, podia ser feita de uma só palavra...

terça-feira, 9 de junho de 2009

Minhas panelas são um luxo !!! rsrs

Esta despretensiosa imagem - com três panelas, uma frigideira e uma leiteira - trouxe maior repercussão do que, juntos, todo o diário do Nepal e as Crônicas Hospitalares...
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Uma imagem vale mesmo mais que mil palavras.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

A Cerimônia do Adeus

Estou me mudando. Hoje é a última noite aqui e é hora de me despedir. Minha cerimônia do adeus ao apartamento que me acolheu por um ano, quatro meses e seis dias será em frente à TV que me fez companhia em grande parte deste tempo. Farei a despedida da TV, por enquanto. Depois faremos cerimônias com a vizinha e os porteiros.

Ainda não comprei televisão para a nova casa e agora comprar TV é algo muito complexo, com seus vários mecanismos, tamanhos e megapixels. E haverei de comprar também um "rômi tiati", com suas dezenas de saídas e centenas de watts de potência. Com tanto equipamento a Fátima Bernardes, por certo, há de rejuvenecer 10 anos, embora com tantas opções e consequentes indecisões a aquisição talvez demore tempo equivalente.

Hoje, porém, tenho à minha frente uma TV 20'', com seu bom e confiável tubo de imagem, acusado outrora de ser emissor dos perigosos raios catódicos (na primeira oportunidade procurarei na Wikipedia que raios de raios são esses). Continuará aqui mostrando imagens a quem se sentar defronte dela, enquanto houver ondas no céu e corrente elétrica que a alimente, mas não posso deixar de me iludir imaginando ter ela uma metaconsciência a permitir alguma afeição por quem lhe dedicou tanta atenção.

O início da despedida não foi das melhores: a final do Aprendiz 6, O Universitário. Não vi nada deste programa, mas pelo ritmo da emocionante final não perdi muita coisa dos outros multicitados quinze episódios. Seria preferível ter visto a final da segunda divisão do campeonato goiano de futebol. Neste chamado mundo corporativo os candidatos a estagiários parecem falar as mesmas coisas que os honoráveis conselheiros. Por isso, recomendo que contratem só estagiários, pois assim restará ao menos a esperança de mudança no discurso no fututro.

O Jornal do Boris Casoy começou depois do Aprendiz, à 1:00 da manhã. "Isso é uma vergonha !!!" Olha o horário em que colocaram o Boris... Aposentadoria à vista.

E descubro que tem Jornal do SBT no mesmo horário. O que está havendo com a programação da televisão brasileira ??? Por que alguém ficaria acordado até esta hora prá saber do auxílio moradia que o Saney recebe, se nem mesmo Vossa Excelênca, o Senador, o maior interessado, sabia que o recebia ???

"A Noite é uma Criança" está lá, firme e forte. O Otávio Mesquita está tentando vencer a Hebe no quesito maior tempo como apresentador de programa desinteressante.

Vejamos... o que temos em outros canais... Achei! Reprise do Top Top na MTV. Adoro este programa com seus rankings avacalhados. Tema de hoje: bandas fictícias. The Wonders ficou em 10º lugar. Que injustiça !!! Prá mim foi a banda fictícia que mais convenceu como banda de verdade, tanto que só agora descubro que ela não existia de fato. hohoho

TV Justiça: Marco Aurélio profere um longo voto com grande ênfase nas sílabas tônicas e intervalos enigmáticos entre uma frase e outra, momento em que se balouça na cadeira à procura do melhor ângulo para abordar o microfone. Parece-me mais empolgado que de costume e logo descubro o motivo: é uma reclamatória trabalhista !!! Matando saudades de tempos idos, fala com veemência: "talvez numa visão preconceituosa da Justiça do Trabalho..." Marco Aurelio, isto não te pertence mais, meu filho. Agora você é chique, está no Supremo, esquece esse seu passado ingrato.

Na Record, a Igreja Universal debate o "fenômeno" das piriguetes. É um tanto curioso, mas não deixa de ser interessante ouvir repetir-se o nome do Senhor prá lá e Senhor prá cá, vendo cenas de rebolados em super close.

Que sorte a minha, está começando um filme na Globo: "Mulher Solteira Procura 2". Uau !!!! \o/ Yes !!! Um ménage à trois insinuado já no título. Vamos ver como será isso !

Hummm... não é bem o que eu esperava. O "2" refere-se apenas à segunda parte de outro filme com praticamente o mesmo roteiro. A moça solteira em questão procurava outra moça prá dividir apartamento, porque tinha brigado com a amiga má com a qual dividia apartamento atualmente. A briga se deu pq a amiga má dormiu com o namorado da mocinha. A mocinha então achou uma amiga querida que no decorrer do filme mostrou-se uma psicopata e matou a amiga má, justamente quando esta estava ficando boazinha. Céus !!! Alguém é pago prá escrever um roteiro assim.

São 3:00 da manhã. Vou dormir que amanhã é dia de mudança. Esperava mais desta despedida :(

terça-feira, 19 de maio de 2009

Reflexões de Ademar Cobra

Ademar está inquieto e começa suas reflexões acerca do futuro:

"Se for prá acabar, o mundo vai acabar em papel, em cachorro ou em crente. Um deste três. Porque eles só aumentam !!!!"

segunda-feira, 23 de março de 2009

Crônicas Hospitalares III

A recuperação da cirurgia está sendo surpreendentemente tranquila. Não tomei nenhum analgésico desde que saí do hospital e até agora não doeu nada. O meu médico é arrojado. Disse que eu não tenho nenhuma restrição alimentar ou de movimentos e me incentivou a andar. Só não posso levantar ou empurrar peso, saltar ou fazer outro exercício que contraia muito os músculos da barriga. Isso inclui espirrar... Fico mordendo a língua prá conter os eventuais espirros. É ridiculo, mas não tem outro jeito. Fui liberado até prá tomar álcool, desde que não seja muito. A medicina precisa de mais médicos assim !!!!! 24 horas depois da cirurgia já estava andando na rua (bem devagarinho, é verdade). Ontem, quatro dias depois da cirurgia, andei até o Bosque do Papa, uns 3 Km.
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Entretanto, falei com minha sobrinha (que estuda medicina) e ela me disse que era prá eu andar SÓ DENTRO DE CASA... e que o médico fala pros pacientes que pode andar pq tem gente que pensa que tem que ficar deitado o dia todo.
Bem, não foi culpa minha, o médico não especificou.
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Hoje a única coisa que me lembra a cirurgia é que não posso usar cinto, pq a fivela pega bem em cima de um ponto. Na quarta-feira tiro os pontos, abandonando por fim o tempo em que tive de suportar incorporados a mim os incômodos fios compostos de polímeros derivados de hicrocarbonetos – estes adormecidos nas estranhas da Terra por milhões de anos, de lá retirados com o propósito de costurar as minhas entranhas. Voltarei a ser, por completo (exceção feitas às restaurações dos dentes), apenas matéria orgânica não sintetizada pela indústria.
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Mas como diria o Amado Batista, "neste mundo o perfeito não tem vida". Minha mãe percebeu que eu já tô bom e foi embora.
Voltaremos à velha escassez... :(

sexta-feira, 20 de março de 2009

Crônicas Hospitalares II

Dormi só uma noite no hospital e fui liberado. O médico deve ter parte com o demo, com o coisa-ruim. Como é que ele faz 3 furos na barriga, mas eles não doem, não incham e não sangram??? Nem analgésico estou tomando, menos de 48 horas após a cirurgia. A cirurgia foi no Hospital Santa Cruz. Recomendo. Gostei bastante, tanto das instalações quanto do pessoal. Parece mais um hotel que um hospital.
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Minha mãe passou a noite comigo e reclamou apenas que "na quarta-feira todas as novelas ficam mais curtas, só por causa do jogo de futebol".
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E tem lá uma cadeira motorizada, comandada por 4 botõezinhos, que permitem uma ampla combinação com vários e vários ângulos e posições. Uma loucura !!!! Deviam colocar estas cadeiras em móteis. Seria um estrondoso sucesso !!!!!! kkkkkkkkkkkkk
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Não posso deixar de reproduzir a resposta que recebi de uma amiga aos comentários sobre o hospital e a cadeira:
"Primeiro, vc é o único homem que conheço que não reclama de intervenções cirurgicas, ao contrário, recomenda o hospital. Começo a duvidar da sua masculinidade (rsrsrs). E o que não faz a carência... imaginando cenas de sexo até com a cadeira do hospital. Beijos e boa recuperação."
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Sempre é bom ter amigos com quem contar nas horas difíceis...
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O momento mais traumático de todo o procedimento cirúrgico foi na hora da alta, com a retirada de uma esparadrapo de uns 10 cm de largura (daqueles brancos, de tecido grosso, com muita cola) que estava colado no meu antebraço esquedo prá segurar uma agulha. Putz... metade dos pêlos dos braços ficaram lá...
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O melhor de tudo isso é que passei a desfrutar de inacreditáveis três refeições por dia \o/ \o/ Nunca imaginei que minha cozinha tivesse potencial prá tanto.
Olha minha geladeira, veja ela está cheia !!!

E esta foto então, que fantástica. Minha mãe e o primeiro breakfast completo visto (e comido) no meu apartamento desde que me mudei prá lá \o/ \o/ \o/

quarta-feira, 18 de março de 2009

Crônicas hospitalares I

É hoje o dia de entrar na faca. Ou melhor, no espeto, já que a cirurgia será por videolaparoscopia, aquela em que são feitos três furos na barriga: um para a câmera e outros dois para os instrumentos. Lá vou eu para o hospital com a tranquilidade disponível e aquela preocupação básica: "oh céus, ai de mim, um pobre ser humano às voltas com as deficiências que a biologia me legou".

Confesso que na consulta com o anestesista, há uma semana, levei alguns sustos. Ele falou algo como "é aplicado um anestésico que age no sistema nervoso central e um relaxante muscular. Com isso vc perde a capacidade de respirar". Não quis interromper a conscienciosa exposição do médico, mas, de repente, me peguei a imaginar como seria capaz de prender a respiração por mais de uma hora, mesmo estando desacordado. Seria o novo recorde mundial !!!!

Ele então me disse que eu seria ENTUBADO. Obviamente o anestesista estava duvidando da minha masculinidade... Descubro, em seguida, que o tal do tubo, felizmente, seria colocado na boca e ligado a uma máquina que me faria respirar. Ufa! Contudo nos "esclarecimentos finais" ainda: "caso haja alguma dificuldade de entubar, pode haver danos aos dentes, talvez quebrar algum deles..." Francamente, o médico devia poupar os pacientes de alguns detalhes.

Pois bem, chego ao hosptital às 7:00 hs, para uma cirurgia marcada para as 11:00 hs. Não acontece nada até às 10:30, quando entra um enfermeira, mede a pressão e a temperatura, me dá um avental prá vestir e vai-se embora. Mais uns 10 minutos e vem o maqueiro, apressado, pede prá eu pular na maca e arranca em direção ao centro cirúrgico, falando que tem que correr pq está faltando maqueiro.

O centro cirúrgico me lembrou uma cozinha de restaurante. Gente entrando e saindo das salas de cirurgia, lavando as mãos (eles lavam os braços também) e um barulho de pratos e talheres, que na verdade eram os intrumentos.

O anestesista me pergunta mais uma vez se sou alérgico a alguma coisa e eu respondo a mesma coisa de sempre: "não que eu saiba". Aí começa aquela encenação básica: um médico fala comigo, me pergunta no que eu trabalho, enquanto outro espeta uma agulha na veia. Respondo: "Sou fiscal da Receita Federal. Sei que os médicos não gostam dos fiscais (nem fiscal gosta de fiscal), mas que não pensem em se vingar em mim hehe" E eles então começam a falar da declaração do Imposto de Renda, enquanto eu penso que, por mais profissionalismo que se espere de alguém, aquele realmente não era o momento ideal para prestar informações sobre o assunto.

Mais uns segundos sinto um pequeno formigamneto no ombro e apago. Acordo duas horas mais tarde. A única coisa diferente de acordar de um sono comum foi a pomada nos olhos e os três furos na barriga. Prontinho !!! Simples e rápido !!! Sobretudo depois que já passou. Como diz o velho ditado, "nada a temer, a não ser o próprio medo".

terça-feira, 17 de março de 2009

A geladeira de Godot

Minha mãe chegou à minha casa, para um apoio moral, espiritual e material em razão de uma cirurgia que farei amanhã. Obviamente, o estoque de comida em casa resumia-se a uns pacotes de balas e bolachas. Nada mais natural !!!!

Tente imaginar quantas vezes eu tive que ouvir: "você não come, por isso está magro assim" ???? Ora, francamente, meu IMC está em 20,5. A falta de peso só seria um problema de saúde se meu IMC estivesse abaixo de 17.

Contudo, estes argumentos objetivos não a convenceram... ela continua pensando que estou magro e eu não entendo o porquê disso: 63 kg me parece um peso bastante razoável. E, pior, sem nenhuma prova científica que apóie seu ponto de vista, crê que a suposta magreza é consequência do meu saudável hábito de fazer apenas uma refeição completa por dia.

Tudo, porém, tem seu lado positivo: hoje acordei com o primeiro café da manhã já visto (e comido) naquele apartamento desde que me mudei prá lá!!!!!

Notei que não conhecia parte da comida que estava sobre a mesa, permitindo-me concluir que fora contrabandeada na mala. Minha mãe, pessoa sagaz, teve a capacidade de antever o vazio gelado que habita aquela caixa branca em formato de um grande paralelepípedo a que chamamos refrigerador, usada habitulamente nas residências para conservar alimentos, mas que em minha casa carece de propósito funcional.

Subitamente compreendi: minha geladeira enfrenta uma crise existencial ! Não enxerga um propósito para o eterno ligar e desligar de seu compressor, para a circulação dos fluidos, as paredes grossas, as limpas prateleiras envidraçadas, o frezzer potente, os compartimentos elegantes e ergonômicos, a lâmpada oculta que se acende a cada abrir de portas e a tecnologia que lhe permite fazer frio sem fazer gelo.

Tudo pronto e tudo parado. Com a respiração suspensa -- tal qual milhares de pessoas num estádio lotado à espera da cobrança de um pênalti marcado aos 47 minutos do segundo tempo -- aguarda após o raiar de cada dia que algo indefinível e desconhecido finalmente aconteça.

Há, por vezes, aquele corpo humano que abre a porta e debruça-se à sua frente. Com orelhas maiores que os olhos, mira curioso o seu interior por sobre os aros dos óculos, como se olhasse para uma paisagem distante, uma pradaria sob geada ou uma montanha semi-envolta em neblina. Contudo, este parece nunca encontrar o que deseja. Fecha a porta sem outro gesto que lhe permita adivinhar o que veio fazer ali.

Mais uma noite e mais um dia. Quem sabe amanhã...

É preciso encontrar uma solução terapêutica para o problema da geladeira !!!!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Pensamento do dia

"A verdadeira inclusão digital é o exame de próstata"

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Pensamento do dia

Gostaria de morrer como meu avô, dormindo tranquilamente, e não gritando em desespero, como os 40 passageiros do ônibus que ele dirigia.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Pensamento do dia

"Admiro a burrice, pois, ao contrário da inteligência, ela não tem limites"

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Voo Isla Margarita Los Roques

Depois de testar várias hipóteses e possibilidades -- aviso aos navegantes que obter alguma informação útil e segura na Venezuela não é tarefa para iniciantes -- conseguimos um voo de Isla Margaria a Los Roques num aviãozinho de seis lugares, incluindo os assentos do piloto e copiloto (agora sem hifen). Viagenzinha muito divertida... com visual de impressionar...

E o melhor de tudo: deixamos Isla Margarita prá trás \o/
Eita lugarzinho ruim, não imagino o motivo de tanta fama. Se vc ainda não foi lá, não perca seu tempo. Isla Margarita não é uma ilha do Caribe, deve ter sido criada em outro oceano e depois foi arrastada até o Mar do Caribe. Tem belezas naturais equivalentes a uma praia gaúcha e a presença humana não melhora o cenário. Há muita sujeira e os serviços são horríveis. Um retrato da Venezuela na era Chavez.

Aparentemente há um voo regular. Aparentemente... a Venezuela não é terra para quem gosta de certezas!
Se vc procura informações sobre voos entre Isla Margarita e Los Roques e não encontra nada, agradeça aos céus. É trabalho do seu anjo da guarda que quer lhe poupar dissabores na vida terrena. Ouça o que seu anjinho tenta lhe dizer: "vá para Los Roques (que é fantástico) direto de Caracas e passe longe de Isla Margarita". Ele deseja muito fazer esta boa ação, pq só lhe falta isso para ser promovido a arcanjo rsrs


segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Isla Margarita é uma bosta

Para ser sucinto e comedido diria que Isla Margarita é uma merda !!!
Façamos um acordo: não perco meu tempo contando as agruras que passo aqui e você não perde seu tempo vindo prá cá.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Venezuela

Acaba-se mais um ano. Vim à Venezuela, Reveillón em Isla Margarita, esperando encontrar palmeiras, mar translúcido e demais acessórios e apelos visuais que se pode esperar de uma ilha do Caribe. Antes, porém, há que se chegar lá.

A Venezuela não funciona exatamente como um relojoeiro desejaria e nosso grupo, não conseguindo fazer todas as reservas necessárias, teria de apelar para a fé na Providência Divina. Penso que, se o Universo todo foi criado sem nenhum planejamento preliminar, as nossas férias, um evento com dimensões significativamente menores, também poderiam dele prescindir.

Quatro já haviam chegado no dia 27/12 e tiveram que enfrentar, por seis horas num táxi, 300 e poucos quilômetros de Caracas a Puerto La Cruz. De lá, outras duas horas em ferry boat para chegar à ilha.

Chegamos Kathleen e eu ao aeroporto de Caracas às 6:00 hs. da manhã e fomos tentar conseguir um lugar em lista de espera num voo para a Isla Margarita e assim evitar o trajeto por terra e mar. Abaixo de um luminoso amarelo que identificava a empresa aérea havia, não uma fila ou lista de espera (como se espera), mas um democrático embolado de espera, o qual não discriminava sexo, cor, credo, classe social ou ordem de chegada. Ali ficamos até que uma atendente gorduchinha sinalizou à nossa intuição que começaria a escolha de alguns eleitos que desfrutariam a invenção de Santos Dumont, deixando a grande maioria no mesmo lugar onde até então estivera.

Mantenha a coluna ereta e a mente tranquila, gafanhoto! Séculos de meditação em milhares de mosteiros ensinou algo a outros que agora aproveitaria a mim.

A senhora gorduchinha observa aquele estranho ser esquálido, calado, catatônico, circundado por uma população obesa que levanta notas de dinheiro e brada pedidos antecedidos por "amor", "corazón", "mi vida", "mi cielo". Curiosa, olharia para o ser plantado tal qual uma árvore à espera do vento, com uma mochila às costas, aparentado a uma experiência mal-sucedida de cruzamento genético entre tartaruga e Marco Maciel.

Quais desígnios do destino e programas de milhagem, quais passos haveria caminhado, quantas cadeiras heveria ele sentado até chegar àquele saguão ? Por que cargas d'água, afinal, não levanta os braços ou empunha notas? Estaria sem forças após uma noite passada, entre cochilos, à base da alimentação fornecida pelo serviço de bordo?

É o momento! Fui olhado e visto. Eu existia para a aviação comercial! Estendo o braço com os passaportes à mão, à velocidade de reflexos que fariam lembrar a todos que, uma vez mesatenista, assim o serei enquanto mantiver meus membros superiores.

O tempo não pára, mas pode reduzir sua marcha se forem mais abundantes as sinapses no cérebro. Olhando os livretos, a senhora, movida pela mesma genética da qual falávamos a pouco, lembrou-se de outro saguão, assim chamado salão, e das cadernetas de baile de sua avó, envolvidas em papel de seda e guardadas como troféus, prova material dos felizes anos da juventude. As cadernetas eram compostas entre o recato e o atrevimento, obtendo o difícil equilíbrio de preservar alva a reputação e afastar o "chá-de-cadeira". Circulariam entre os pretendentes por toda a Quaresma, enquanto moças e rapazes arranjavam-se como podiam para treinar os passos de dança, até que chegasse o aguardado Baile de Aleluia, no sábado acompanhado pela mesma conjunção adjetiva.

Para onde foram aqueles dias? Que forças levaram a Humanidade a extinguir as cadernetas de baile e proliferar os passaportes? Aqui no saguão, antes chamado salão, não há esperas que valham 40 dias. Demasiados são 40 minutos. Repetem-se "amor", "corazón", "mi vida", "mi cielo", mas quem diz isto não mais pede uma dança, somente implora por assento num vôo que o leve mais longe e, mais tarde, a maiores decepções.

Por um quase momento a senhora corre os olhos pelo braço esticado e procura os outros olhos escondidos entre lentes e olheiras. "nde buscas llegar, flaquito?". Estica o quanto pode os braços curtos, ponteados por dedos roliços. Não teria chances como mesatenista. Toma os passaportes. Estava feito: nós não conheceríamos Puerto La Cruz e o ferry boat.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Oração de Natal

A mega família está reunida para a ceia de Natal. Todos de mãos dadas à espera do início do Pai Nosso, ouvimos as tias revezarem-se em agradecimentos, lembranças de fatos passados e desejos de bons dias vindouros. Tia Luzia, a mais jovem delas (segundo sua própria definição "não importa se estou velha, continuo sendo a mais nova"), toma a palavra :

Eu também gostaria de agradecer a Deus por todas as coisas boas que aconteceram neste ano e pedir, não a Deus, mas a todos que estão aqui que parem de desperdiçar cerveja. Em toda festa feita aqui na chácara a gente recolhe um monte de garrafas com cerveja ainda pela metade. Quero apelar prá responsabilidade social de todos: aberta uma garrafa, vamos até o fim dela.
Peço a Deus que derrame sua bênção sobre nós e ilumine esta família prá que faça bom uso da cerveja que tivemos a graça de receber.

Amém Jesus !

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Macunaíma

Ademar, o Macunaíma contemporâneo, o herói sem caráter, conta mais uma das histórias vividas em sua agitada juventude (isso foi há uns 40/50 anos).

Numa das festas de república em Sorocaba, uma moçoila já meio embalada pela bebida e pelos apupos da platéia, iniciou um tímido streap-tease. Porém, a sensualidade da performance sofreu grave prejuízo, pois, ao tirar a blusa, teve ela o cuidado de dobrar a peça e depositá-la cuidadosamente numa cadeira próxima.

Deve ser uma moça do signo de Virgem, com ascendente em Virgem. E Júpiter, Lua, Santurno, Vênus, Marte, cometa Halley e telescópio Hubble, todos empilhados (de modo organizado, claro) uns sobre os outros na casa de Virgem.

E deve estar virgem até hoje....hehehehehe

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

João Pessoa, Paraíba

Da janela do quarto vejo Ponta do Seixas, o ponto continental mais oriental das Américas. Com meus novíssimos óculos, quase posso divisar a costa africana. Eu sempre acreditei que o lugar mais oriental do país fosse o Bairro da Liberdade. Ou Mogi das Cruzes, Assaí ou Maringá, mas não parece ser o caso. Dizem que é Ponta do Seixas mesmo, embora não tenha visto nenhum japonês por aqui.

Sendo o ponto mais oriental, o sol nasce mais cedo. Esta noite fiz uma experiência científica: deixei a janela aberta, dormi ouvindo o marulho das ondas e acordei quando o sol estava nascendo, inacreditavelmente às 4:30 da manhã. E às 5:30 da tarde anoitece... Curiosamente não há horário de verão por aqui. Deve ser decorrente de algum costume milenar japonês, que não permite mudanças de fuso-horário no oriente.

Na Ponta do Seixas tem um marco, uma construção pontuda, e ao lado um vendedor de cocada. Prá cá um pouco, tema Estação da Ciência e Tecnologia. Projeto do Niemeyer, como quase todo prédio público do país com ares de monumento. A curva, a reta e muito concreto armado... já enjoou, não? A cada novo edifício do Niemeyer, mais admiro a Bauhaus.

Francamente, gostei mais da cocada. O nobre cocadeiro fez uma composição cocada com goiabada o que tornou a guloseima deveras interessante, além de fornecer licopeno aos comensais. Registre-se que a cocada não era de côco, naturalmente. Note que o côco é mais fibroso e mais duro que uma cocada standant. Para ser engolido, um pedaço de côco deve ser mastigado um cem número de vezes. A cocada, ao contrário, que pode ser deglutida facilmente, pois em sua composição o côco é substituído pelo caule do mamoeiro. Esta planta, tipicamente tropical, têm crescimento rápido e fornece muito mais biomassa por unidade de área/tempo, quando comparada ao côco. Ambos, côco e caule de mamoeiro, não tem um sabor muito acetuado, uma excelente oportunidade para que a indústria alimentícia engane o paladar do contribuinte.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Óculos novos

Estou usando óculos novos. Tô muito doidão... nos óculos antigos só havia lente de correção no olho direito. No esquerdo era só uma lente sem grau, usada apenas prá eu não andar por ai monocular!

Os óculos novos têm um grau no olho esquerdo e três no direito. Acho que o cérebro ainda não se acostumou e com o olho esquerdo vejo os objetos maiores se comparado ao olho direito. Tudo parece tão pertiiiiiinho... Olho quatro vezes para o semáforo e para os carros antes de atravessar a rua. Já nem sei se os carros estão parados ou andando. E juro que não fumei nada ilícito.

Começo a pensar que o John Lennon não usou LSD para compor "Lucy in the Sky with Diamonds", como todos imaginam. Apenas trocou os óculos !!!!!
hehehehhehehe

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Ilha Grande - Primavera (?)


Resolvi ignorar as previsões do Climatempo e vir assim mesmo prá Ilha Grande.

No fundo queria me sentir como um humano indomado de há cem mil anos atrás, livre a caminhar pela savana africana, sem nada que o governasse, sem emprego fixo, sem pagar impostos, sem relógio, sem se preocupar com o vai-e-vem da bolsa e do dólar, sem férias e sem imaginar por que cargas d'agua alguém iria se preocupar com o clima durante as férias.

Porém, se isso fosse bom, a Humanidade ainda não teria mudado de hábitos. Férias com chuva é, literalmente, uma água. E as trilhas da Ilha Grande estão impraticáveis. Na ladeira escorrega-se. Nas partes planas o pé afunda...

Acabo de pressentir que todo o desconforto que nós sentimos em nossa sociedade moderna, com todo o cipoal de regramentos e condicionamentos, transforma-se em revolta inconsciente contra os sites de previsão de tempo. O que nós queremos mesmo é afrontar a ciência e toda sua empáfia previsiva. Materemos uma dúvida esperançosa em nossos corações. Pensamos: "Estes mauricinhos ficam com os narizes colados no computador e nunca viram uma nuvem ao vivo. Não podem estar certos o tempo todo. Vou lá e, se der sol, vou rir muito deles"

O problema é que eles acertaram! De novo!

Meu consolo é que eles não vão rir de mim hahahaha, já que nem sabem quem eu sou. hehehehehhe
UHU! \o/ se ferraram, eles não sabem quem eu sou e não podem rir de mim...

Terça-feira, na travessia (com chuva, claro) entre Mangaratiba e a Ilha Grande pensava com meus botões: "por cima dessas espessas nuvens negras há o Sol que converte, a cada segundo, milhões de toneladas de Hidrogênio em Hélio. Depois a fusão nuclear continua, convertendo Oxigênio, Carbono, Nitrogênio e mais outras coisas que não lembro, só sei que o mais pesado da fila é o Ferro. E até que todo o Hidrogênio do Sol acabe estas nuvens vão ter que ir embora".

Muito simples e lógico este raciocínio. Temo, porém, que as férias acabem antes.

Na quarta-feira acordo e abro a janela do quarto. UAU!!!! que lugar paradisíaco. A NATUREZA É TÃO NATURAL !!!!! O céu está cinza claro e isso me deixa mais animado. A camada de nuvens acima da ilha deve ter apenas alguns quilômetros e pelo menos 5% da luz solar é capaz de atravessá-la. Percebo que é muito fácil observar pássaros por aqui. Eles ficam enfileirados nas árvores, paradinhos... as penas devem estar grudadas nos ossos depois de uma semana de chuva. Um deles faz movimentos com a garganta e imagino que está aquecendo suas cordas vocais, tal qual um barítono nas óperas de Verona, para encantar a todos com seus gorgeios.

O que ouço em seguida, entretanto, é um espirro...

Tomo um café e saio a caminhar. Quase não chovia e por isso eu fiquei praticamente seco do umbigo prá baixo. Os gringos parecem se deliciar ao descobrir que chove na "Rain Forest". Veja só que poder tem a linguagem sobre as pessoas! Nós estamos acostumados com as fotos ensolaradas do Rio de Janeiro e achamos que aqui chove tanto quanto no sertão cearense. Já os gringos chamam a Mata Atlântica de Rain Forest, por isso o que eles esperam é chuva mesmo. Devem estar adorando...

À noite fui jantar numa pizzaria. Creio que a instalação de lareiras nas pousadas contrastaria com a imagem tropical do RJ. Mas o dono da pizzaria logo identificou uma oportunidade de negócios e colocou mesas ao lado do forno, muito concorridas, o que justificou inclusive a cobrança de uma sobretaxa. Ao abrir o cardápio, entretanto, vejo que fora sobreposto um grande "X" à palavra "pizza". E logo acima havia escrita uma nova palavra: "ENSOPADOS".

Nada restou seco aqui na ilha. Por isso agora temos Sopa Marguerita, Sopa Quatro Queijos, Sopa de Aliche, Paulista, Portuguesa, Álho e Óleo, Calabresa, Napolitana, Atun, etc.

Falando francamente, essa chuva já enjoou (e já tirei o acento, se é que existia, para melhor me preparar para a reforma ortográfica). Criam Ministério do Turismo, Secretaria Estadual do Turismo, Secretaria Municipal do Turismo, RioTur, Embratur e NINGUÉM FAZ NADA PRÁ ESTA CHUVA PASSAR. Todo esse bando de funcionários públicos confortavelmente instalados em seus gabinetes, recebendo polpudos salários, de braços cruzados esperando o tempo melhorar sozinho. Como diria o Boris Casoy, isto é uma vergonha!!!!!

Vou tentar falar com a moça do tempo que aparece no Jornal Nacional e ver se ela empurra a frente fria pro norte da África. O Sahara deve estar precisando mais dessa chuva que nós. E leva essa Zona de Convergência do Atlântico Sul prá Austrália, ou prá lá um pouco. Se a Rede Globo manda mesmo neste país, como dizem, ela é a minha última esperança.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Em Curitiba novamente


De Kathmandu a Curitiba, foram umas 36 horas...

Depois de pestanejar por 15 horas, acordei no sábado, numa ensolarada manhã outonal, adaptado ao fuso, ao horário, à vida e aos costumes locais.

Fui almoçar. Sábado pede feijoada! Renderia homenagem à nossa terra amada, pátria mãe gentil, onde as aves gorjeiam como em outros prados não o fazem. Prato bem servido, feijão tinto, com paio, costelinha suína, linguiça, carne seca e outros defumados, acompanhado de arroz branco, farofa, couve, cortada fina e refogada em azeite de oliva, e laranja, cuja diretoria do restaurante teve a perspicácia de servir em três opções: laranja-lima, pêra e baiana.

Tive o desprendimento de tomar dois chopp, produção caseira de um mestre cervejeiro austríaco que por aqui reside há mais de 40 anos, servidos em temperatura próxima aos 4 graus Celsius, em copo alto com 3 dedos de espuma densa que vencia a borda para fazer-se escorrer pela superfície externa. A moça que mos trouxe fora privilegiada pela natureza e pelos deuses de plantão no momento de seu nascimento, e por eles supervisionada com igual esmero em seu desenvolvimento. Com seus 1,70 m, 60 quilos bem distribuídos, olhos verde-esmeralda, cabelos negros, fartos, esvoaçantes e longos à altura da cintura, voz levemente rouca e demais atributos que a genética afrodescendente deu às mulheres dos trópicos, fez-me desviar a atenção do líquido dourado por alguns minutos, eventualmente deixando passar despecebidos alguns detalhes relevantes da referida bebida.

O buffet de sobremesa - que contava com doce de abóbora, de mamão e cidra, pêssego em calda, cocada branca e escura, pudim e tortas a perder de vista (sobressaindo as denominadas Marta Rocha, Alemã e Nega Maluca) - não foi, contudo, bem aproveitado, faltando-me apetite para tanto. Saboreei apenas seis das espécies acima referidas.

O preço total de nababesca refeição ficou abaixo de 1.200 rúpias, mas nem este custo pude suportar, já que um amigo insistiu em quitar toda a despesa, argumentando que estava eu com uma aparência faminta de despertar a misericórdia no coração mais duro e, já que ele não contribuía regularmente para o Fome Zero, tentaria auxiliar minha adequada nutrição em ao menos uma oportunidade.

Após sorvido o café espresso, voltando meus olhos ao amplo e arborizado pátio interno, ocorreu-me como é desnecessária e valiosa a vida, assim como cada passo naquela trilha, com seus vários milhares de metros, titubeantes entre aclives e declives, onde o espírito quase se desprega do corpo terreno para voar livre e galgar os degraus que faltam à evolução plena. Melhor seria não ter existido. A matéria que ora chamo de minha estaria polvilhada no éter, integrada a todo o Universo. Mas se aqui estamos, desfrutemos os frutos.

Nem o maior dos banquetes já servido neste mundo ou em outros porventura habitados substitui um ovo cozido no cimo de Chhomrong.
Acredite quem quiser (embora seja prudente duvidar).

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Descendo a montanha











ABC - Birethanti

Machapuchare Base Camp, Deurali, Himalaya, Dovan, Bamboo, Sinuwa, Kuldhigar, Chhomrong, Jhinu, Ghandrung, Kimche, Syauli Bazar e Birethanti. Retorno à civiliação, etapa vencida em três dias, confirmando o ditado popular que apregoa ser a ajuda dos santos mais eficiente quando esta se dá no mesmo sentido da força da gravidade.

Ainda na trilha, na primeira possibilidade de contato telefônico, Poli liga para casa:
"Oi Amor, tudo bem com você? E as crianças? Comigo tudo bem, estou morrendo de saudades. A propósito, você sabe como foi o jogo do Palmeiras e São Paulo ? "
Costumo dizer que com uma preparação física adequada, um equipamento de qualidade, alimentação balanceada, acompanhamento medico permanente, apoio emocional nos momentos mais difíceis, uns 500 balões inflados com gás hélio amarrados à cintura, duas injeções de glicose na veia todo dia, um curso rápido de levitação, um tênis motorizado e muita fé, qualquer um pode fazer este roteiro.

Exageros à parte, fazer uma caminhada no Himalaia não é como passear no parque, mas também não é o mesmo que chegar ao topo do Everest. A estrutura da trilha é muito boa e os guias e carregadores foram excelentes.

Tenho imensas saudades desta viagem. Se você um dia já pensou em fazer este roteiro, vá sem medo, antes que o reumatismo tome conta :)

p.s.: A nossa amizade continua (eles realmente são muito pacientes comigo). Houve cinco eventos de reencontro entre jantares, churrascos e aniversários desde nosso retorno, em maio/2008. Em 2009 pretendemos ir juntos à África, se a cotação do dólar permitir :(

Fotos da viagem são exibidas no site do Rafael (
www.rafaelcosta.com.br), link “pessoal”. A segunda foto da esquerda para a direita tem um link “making of” com uma seqüência fantástica de imagens.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

ABC

Caminhamos até o alto do canyon e entramos em um “vale” a 4.000 m, rodeado de montanhas nevadas. À frente o pico sul do maciço Annapurna; às costas o Machapuchare, uma pontiaguda montanha de 6.997 m, ainda não conquistada pelo homem.

E lá estava ele, o azulado último lodge, no Annapurna Base Camp, 4.130 m, ponto mais alto do nosso caminho. Gritos, beijos, lágrimas, fotos, brindes, comemorações, sorrisos, gargalhadas, abraços de todo jeito, de todo tamanho, com vários sentidos e direções, com significados grandes e pequenos. Os felizes conquistadores entregaram-se a prazerosa conversa, rememorando cada passo da viagem.

Em silêncio, suas mentes perceberam o propósito em cada evento que ligava o seu passado ao passado de cada ser que já havia caminhado pela Terra, à matéria que dá forma este planeta, a cada um dos átomos que vibram em choques com seus semelhantes. Assim haviam sido criadas as montanhas e nossas pernas. Aqui elas se encontraram.

No entanto, a noite reservava a mim uma surpresa. Algumas poucas horas depois de dormir, acordo em sobressalto, suando em bicas. Minha conclusão foi imediata: MORRI !!!! E estou no inferno !!!! Haveria outra explicação plausível para suor tão abundante a temperaturas negativas ???

Pois há: sopa de alho !!! Já havia tomado uma ou outra durante o percurso. Naquela noite tomara duas. Uma pedida por mim e outra que estava dando sopa na mesa, desprezada, esfriando num canto.

Noto que meu abdômen continha uns cinco litros de gazes intestinais, a pressionar meu pulmão. Meu umbigo assemelha-se ao de uma gestante. Enquanto isso Roberto “Papa-Léguas” dormia o sono dos justos na cama ao lado, imóvel, com a cabeça coberta, sonhando com uma escalada que fizesse jus aos seus talentos. Passei a noite sentado na cama, acordando e dormindo a cada 5 minutos, até que o dia amanhecesse.

domingo, 20 de abril de 2008

Chhomrong


E lá vamos nós, subindo e descendo, descendo e subindo ladeiras. De Ghorepani (2.860 m) para Tadapani (2.630 m), de Tadapani para Chhomrong (2.170). Denise sorria, saltitava e fotografava.


O impressionante nesta área, além das grandes montanhas, são os terraços. Naquelas encostas em que o desnível desaconselha a prática da agricultura, pude ver terraços a perder de vista construídos apenas com pedras, carregadas e montadas por mãos humanas.


Outro detalhe interessante é a vegetação, com muitas árvores por quase todo o caminho, que só desapareceriam acima dos 3.000 m. Nos primeiros dias caminhamos por entre a “floresta florida” dos rododendros.

Neste ponto a vedação ao consumo de bebidas alcoólicas fora reduzida a pó-de-traque e o núcleo empresarial do grupo já pensava em projetar e executar a construção de um geloduto trans-himalaico, pois a cerveja não era servida a temperaturas que apetecessem ao paladar dos consumidores mais exigentes.

Chhomrong impressionou por possuir máquina de lavar roupas e por sua longa, muito longa, mas muito longa mesmo, descida que, naturalmente, transformar-se-ia em subida no retorno. Tal assunto dominou a conversa por cinco dias (justamente quando a discussão sobre a técnica mais apurada de manejar os sticks perdera força) e só terminou no retorno, quando nosso destino converteu-se em realidade e, ali, na base montanha, atravessando a pequena ponte estendida sobre o rio que por milênios cavara aquele canyon, expiamos todos os pecados ainda restantes em nossas biografias.

Como já era de costume, saímos do alto de Chhomrong (o vilarejo ocupa quase toda a longa encosta), a 2.170 m, fomos até o fundo do canyon, a uns 1.300 m, e depois subimos a Kuldhigar, 2.540 m, antes de chegar a Bamboo, 2.310 m, onde dormimos. Percebemos que a moleza havia acabado!

Roberto “Papa-Léguas”, mestre na arte de manejar duplos sticks, ainda não havia pronunciado dez palavras desde que deixáramos o Brasil. Bocejou longamente, olhando ao infinito e além, como se pensasse aliviado: “finalmente um pouco de exercício, esta trilha já está me dando sono”.

Dali prá frente foi só subida mesmo, praticamente sem nenhuma descidinha que pudesse alegrar o coração. Próxima parada: Deurali, 3.230 m, onde, pela primeira vez houve uma gazeta quase unânime do banho diário. Para tanto contribuíram alguns fatores: o frio e uma chuva de granizo desaconselhavam perambular ao ar livre. E, mais que tudo, a Tiffany havia se adiantado ao nosso grupo, não mais fazendo sentido nosso esforço de melhoria estético-higiênica.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Ghorepani

Ao final do segundo dia de caminhada, estávamos em Ghorepani (2.860 m) e pude verificar que a civilização chega muito além do que se poderia supor, audaciosamente indo onde nenhum trator jamais esteve...

Ghorepani, a Campos do Jordão do Himalaia, com uns 50 lodges, alguns enormes, possuía também uma lan house !!!!!!!!!!!! Que funcionava até no escuro, veja só. Não desejo assustar os mais impressionáveis, mas para mim o dono do lugar tem parte com o demo. Como é que ele faz funcionar um computador sem energia elétrica ?????? À corda é que não pode ser.

Ghorepani nos trouxe, pela primeira vez, a visão desimpedida do Daulagiri e de
 dezenas de quilômetros de imensas montanhas com altura acima de 7.000 metros. Me deu aquela vontade de dizer pra mim mesmo: “Puta que o pariu, ainda bem que eu vim nessa viagem. Como pode tanta gente desperdiçar suas férias viajando pra lugares monótonos como Paris, Londres, Milão e Nova York”.
E nem suspeitávamos que o grande momento da viagem estava prestes a acontecer. Ali conhecemos Tiffany !!!! Foi como se a lua estivesse diante de mim a refletir a luz do sol. Canadense, alta, loira, coxas fortes, busto proemimente, olhar firme, lábios doces, andar balouçante a um só tempo determinado e gracioso, simpática, culta, independente, moderna, desembaraçada, viajada e que, ademais, falava fluentemente inglês. Provocaria  um incontornável cisma no grupo, pois as moças não se conformaram com a atenção que nós, educados cavalheiros que somos, dedicávamos àquele anjo sem asas colocado em nosso meio por intervenção divina.
A perfeição em forma humana acompanhou-nos ainda por três dias, nos quais os casados suportaram beliscões à altura dos rins e greve de sexo.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Começa a Caminhada

Era chegada a hora. Na manhã do quarto dia ficariam para trás todas as dúvidas e planejamentos, receios, medos, pavores, pânicos e comiserações, debates acalorados sobre o melhor tecido a usar na trilha, o diâmetro mais adequado das abas do chapéu, o FPS do filtro solar, os medicamentos necessários, úteis, desejáveis, indiferentes, evitáveis e proibidos, as técnicas de alongamento, o modo perfeito de empunhar um stick ou laçar os cordões das botas. Objetivo final: Annapurna Base Camp, a 4.130 metros.

Meus amados amigos não vão gostar de ouvir isso novamente, mas não resisto à tentação de dizer que era uma caminhada de mauricinho, estilo paulistano, mega-estrutura com uma legião de guias, sherpas e carregadores a nos ciceronear, reservas em lodges, banhos quentes, shows musicais, três refeições quentes por dia, à la carte, com direito à entrada, prato principal e sobremesa. Em casa eu não como tanto...
Nossa única preocupação seria não se perder no caminho e carregar uma mochilazinha com garrafa d’agua, câmera fotográfica, um impermeável... coisas deste tipo. Além de, claro, chegar lá.


Fomos levados até Nayapul (1.070 metros) por um veículo automotor de transporte coletivo adequado às estradas locais, atravessamos uma ponte para entrar na Área de Conservação do Annapurna e... “chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor”: o trekking começara!


Primeira impressão: a trilha era toda calçada com pedras planas, em longas escadarias, uma trilha muito mais fácil e confortável do que um caminho irregular. Porém, tantas pedras não estão ali à toda, Gafanhoto: o desnível é animal! Trechos planos, semi-planos, quase-semi-planos ou com aclive em ângulo civilizado não seriam comuns. Ou subíamos muito, ou descíamos bastante.
O briefing matinal que o ingênuos turistas fariam ainda por alguns dias mostrou-se um tanto desprovido de utilidade prática. As informações do roteiro diziam algo assim:

Tikhedhungga / Ghorepani
A partir de Tikhedhunga a trilha segue
bastante acentuada com destino a Ulleri, um vilarejo sherpa a 2070 mts. A partir
daí a subida fica mais amena e com belos visuais da floresta de Rhododendron,
passando pelos vilarejos de Bahunthanti e Nayathanti. Mais algumas horas de
caminhada e chegaremos em Ghorepani, nosso destino final de hoje.”
O que o roteiro não dizia é que o Nepal tem evidentes deficiências de terraplanagem: nós sairíamos de 1.430 m, subiríamos a uns 2.000 m, depois descemos até 1.200 m e subimos tudo novamente até 2.860. Mais ou menos isso. Denise, a ginasta, nada respondia às queixas dos mortais: apenas sorria e fotografava, saltitando degraus de par em par.

O primeiro contato com os alojamentos (londges) foi deveras positivo. E assim foi do primeiro ao último. Funcionam muito bem, com quartos simples e confortáveis, colchões e travesseiros, lençóis e fronhas. Houve, entretanto, certa divergência nas opiniões quanto à periodicidade de troca destes últimos, variando de semestral a bienal, dependendo a quem fosse perguntado.

E havia água quente, um presente dos deuses que abundam na religião hindu. O estoque de água caliente não chegava para banhar a todos, mas logo descobrimos o utilíssimo recurso do banho de canequinha, praticada com grande sucesso de público desde os primórdios da civilização latino-judaico-cristã-euro-ocidental. Pedia-se ao estalajadeiro um balde de água quente, o qual era providenciado tão logo o fogão estivesse desencumbido do preparo do jantar. Quem jamais esteve em situação semelhante por certo não imagina como é boa a sensação de não ter de mediar conflitos internos por horas a fio antes de eleger entre tomar banho de água gelada e dormir sujo.

Dormimos em quartos quentes, secos e limpos todas as noites do trekking, o que é infinitamente mais confortável que dormir em barracas.

Nos vilarejos e por toda a trilha há comércio de gêneros de primeira necessidade: chocolates, refrigerantes, batata-frita, lenços, papel higiênico. E também de artesanato manufaturado mundial, objeto de pesquisa constante de Daniela e Cris Japa, as quais distribuíram rúpias e mais rúpias pelo caminho em troca de anéis, brincos, braceletes, tecidos, pashminas, sandálias, objetos de decoração. A cada nova parada os carregadores arregalavam os olhos e procuravam estimar quantos quilos adicionais haveria na bagagem até que acabasse o dia.